27 de junho de 2014

Cadê?!

Na minha vã felicidade, só caberia você, meu bem.

Toda e qualquer tentativa em outra direção é tão inútil, que só faz eu querer mais e mais o seu sorriso, a sua leveza, o seu doce e seguro amor.

Tudo é roto, sem forma, e eu me pareço com essas máscaras disformes e brandas, a cobrir enormes tristezas e a iludir alegrias de araque.

Não era isso o que eu queria, nem era assim que eu esperava contar os meus dias.

Aliás, há vidas sem você?

Senti medo. Te chamei, não te vi. Passa. Agora é isso aqui de ir seguindo, ir sendo. Uma farra aqui, um drinque ali... só os verdadeiros fragmentos serão. Saberão.

Dormir, sonhar, respirar de novo... Ah, quem me dera fosse pra mim.

Só com você, meu bem, serei eu, serei fé de novo.

Mas, então... cadê?!

Gilda.

28.06.2014.

17 de junho de 2014

Um pouco

Sabe, já tive notívagos melhores.

Sim, claro, alguém, qualquer um ou ninguém seria melhor que essa cama dura, escura e fria. Vazia.

Ou não.

Eu gosto dos lençóis, dos milhares de travesseiros, mesmo sem a sua companhia.

Sinto sua falta.

Nem sei bem o que procuro, ou se, no perdido das coisas, hei de ver algo, uma faísca de luz e vida que só vi em você.

Os mil beijos com gosto de café queimado, pão, iogurte e chá. Mas não é chocolate.

Só com você, meu bem.

Haverá dias e dias, claro.
E eu me sentarei à mesa como uma boa dama.
Deixarei os passos de hoje e as saudades de agora.

Pra quê ficar catando essas malditas conchas?

E o que há de errado nisso?

E tudo será lá atrás. Todas as palavras, minhas maiores besteiras.
As minhas cervejas e vinhos.
As piores melhores festas. Todos os nossos jovens licores.

Serei um tanto outra, mesmo sendo fragmentos de uma.

E, nesse futuro, meu bem, não caberá nada de você.

Ou caberá.

Só um pouco.

Gilda.

18.06.2014.

10 de junho de 2014

Suas auroras

Então. É isso mesmo.

Nem despedidas, nem esperanças.

Desfeitas.

Claro, eu bem queria outra coisa. Não era para termos visto intrusos entre nós.

O seu era real. O meu, pista falsa. Vingança fútil, sem quê nem pra quê.

Serve de desengano, mas fica o apego. Duro ter que deixar cair, quando o que se queria era ficar um pouco, incontáveis quedas a mais.

Morri de novo, meu bem. Perdi mais um pouco de cores e de coisas. Para que as novas bocas, se nelas não se ouvirá o seu sorriso? Não se sentirá o seu beijo?

E eu também não sei o porquê dessa saudade, e nem o porquê dos cinzas.

Ainda.

Morte e vida. No limbo, vejo tudo. Nos meus olhares, não há mais a beleza das suas auroras, do seu jeito, do seu amor. Não há mais você, meu bem.

No fundo, talvez você nem tenha existido. Eu que te inventei, só pra te sobreviver comigo, no acaso inevitável do não outra vez.

Ou, não, talvez.

Gilda.
11.06.2014.

5 de junho de 2014

Sobre segredos e conchas

E o pior é que você nunca soube, meu bem, que todas as novas linhas eram suas...

Eu jamais te disse! Tempo até houve, mas não couberam nos nossos espaços.

Não que eu não quisesse nos revelar a ti em amor e segredos, mas era tão cedo pra tanto, e agora é tão tarde para os dizeres de tudo o que quis que fôssemos juntos!

Desculpa, mas já que não posso mais te ter nos dias e noites de paixão e fé no amor, e que não haverá mais o seu sorriso e o nosso suor, não poderei te dar meus versos de saudade, pois que é tudo o que ainda tenho de ti.

Não te vejo, amor. Volto a ficar vazia.

Mas, veja, se não é um novo clarão de sonho, um dormir e recolher, um guardar e cuidar!

E, no depois, meu bem,
Ah, no depois!...

Me resta o catar das conchas.

Gilda,
06.06.2014.

4 de junho de 2014

O silêncio das brisas

E foi preciso tudo ser visto e vivido para que eu conhecesse a força das suas estrelas.

Das suas canções.

Não importa a velocidade nem os porquês, só o meu sentir.

Foi tão bom sonhar com as águas diversas do amor...

Pouco me dizem também os nãos, eles sempre estiveram aí pra isso.

Eu estou só de novo. Você fugiu. Eu fiquei.

Tudo bem, passou por um tempo, eu fui feliz, e seu chegar foi tão incrível, mesmo sem a minha espera.

E que chegada!

Eu adorei cada partezinha do seu olhar, das suas risadas, de todos os nossos loucos beijos, de tudo o que me fez querer você.

Caberá um pouco mais, quem sabe um dia, com menos loucuras, e uma balança mais igual?

Desaprendi de contar. Esqueci como esperar, aprendi a querer não te querer de novo. E a imediatamente pedir a Deus, com tanta saudade, pra você ficar.

É pena que só o nosso silêncio e a minha oração existam agora.

Mas não tem nada não, meu bem. Sempre haverá a mudança das marés.

E as muitas brisas.

Gilda,
05.06.2014.