Castelo de areia

Eu até sabia que o amor doía um tanto. Que os castelos de areia não são reais. Sabia que podia doer um pouco mais... Só não esperava.

Eu não queria.

Fui te esticando, te ganhando tempo. Uma conversa aqui, um beijo de canto ali... Um sonho no só por hoje, outro no amanhã, projetos afins, uma parceria, muito encanto, pouco chão, muito céu, carnaval. Carros, pernas, bicicletas, aviões.

Puf! Queda livre. Sem paraquedas.

Eu sei, não se pode abdicar das dores, nem dos amores. Sobretudo, quando vem assim, bagunçado, escandalizado. Amor grandioso mesmo, coisa fina, vem ver!
Peça única, nem pensei que pudesse existir, e eu nunca mais tinha visto um desses, tanta força, tanto querer, todo esse mar. Essa nova poesia.

Ufa!

Eu só queria um pouco mais. Um sorriso, um cheiro, umas risadas, um mergulho. Mãos dadas, meu porto, seu peito, nossos cabelos. Sua barba, seu sono, suas tristezas, meu silêncio. Só mais um pôr-do-sol, dessa vez, bem que podia ser em outra língua. Eu fico sem água, vem cá, não precisa ser agora. Por favor, não vai...

Quando é de amor, vem assim. Sem quê nem pra quê. É de pirar, é de ganhar, é de viver. Mas também é de perder.

E eu perdi feio. Mesmo sabendo que não era meu, que não era pra ser. Logo agora, quando vi a felicidade no seu sorriso, um mundo inteiro nesse seu olhar. Logo aqui, na minha melhor morada, no meu melhor pretexto.

Você foi a minha pior desculpa.

Só não precisava ser a mais bonita.

Gilda.
10/02/2018.

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