Uma carta para o meu Capitão

Hoje é quarta. Dia de rotina por aqui. Estou cheia de novidades pra compartilhar... fiz a nona sessão de fisio, amanhã fecho a décima, e ainda terei mais dez pra fechar essa primeira leva. Ontem estava bastante desanimada quanto à corrida de Porto Alegre, mas essas sessões são bastante intensas e animadoras. Os profissionais são muito amáveis e muito dedicados, e tentam tirar o melhor de mim, só porque disse que era atleta amadora... eu adoro, e sei que não sou nada disso, mas fico envaidecida.

Ontem me matriculei numa super academia. Fiz um pacote de sete meses, caríssimo, e hoje fiz a primeira aula. Amei. Encontrei professores bem dispostos e otimistas, que fizeram um plano de treino bem específico, com base no laudo do médico (até pediram pra ver os meus exames...). Um deles, professor Renato, disse: “você quer correr? Então você vai correr”. Eu adorei! Mesmo que não consiga estar apta para a minha tão sonhada “meia” em junho, já me senti acolhida e motivada, disposta a fazer tudo o que puder para que isso aconteça. Eu senti uma energia maravilhosa vindo dessa busca, dessa nova vida.

E é aí, nessa nova vida, que começa essa carta. E que as coisas começam a realmente fazer algum sentido.

Eu estou morrendo de saudade. Não sei se consigo sobreviver a mais essa noite sem você (risos). A minha vida, de repente, ou não tão de repente, segue um novo rumo. É cheia de novos voos. E em tudo, você está. Desde o meu primeiro abrir de olhos, até o bocejo na hora de dormir. Porque, agora, e já tem um tempo, há um caminhar a dois em mim. Há um sonho de vida, de amor, e de contínuo, e é todo com você.

Hoje também teve consulta com a nutri, e foi muito bom, tirei dúvidas, saí de lá com uma dieta para atleta, e, novamente, ali estava a nova eu, pensando em saúde, corrida, natação, ciclismo, inscrições de corrida, musculação, tira-não-tira-carbo, bota o feijão, vamos variar essa salada, como faço pra usar o whey, banana é ótimo pra pré-treino! E vamos que vamos, porque minhas preocupações são outras, e novas, e cheias de presença e influência suas.

Essa semana foi difícil nadar... o tempo não ajuda, eu fico cansada de manhã, não tive quem ficasse com Marina, e teve um pouco de preguiça mesmo. Lavei o seu pé-de-pato, arrumei a sacola, coloquei toalha e o Garmin.

Vai ter natação amanhã, porque eu adoro, e porque é importante, e porque me faz lembrar de ti. Toda essa rotina nova te traz pra tão perto... 

Dá uma saudade da sua cama, do passeio no domingo, da natação só de um na sexta, da tatuagem de quinta, da sesta de vinte minutos... do cheiro da sua pele no meio da noite, e daquele abraço tão quentinho no meio do sono... 

Dá uma vontade de sair correndo pra te contar tudo, aos montes, e me faz querer isso sempre, e querer sempre mais, porque a vida contigo tem tanta cor, tem tanto gosto, e é tão bonita! Saber de você, das suas angústias, dos seus projetos, das suas vivências, e de tudo o que tiver pra me dizer. E é também por causa da sua barba, do seu sorriso, e dessa sua calma e serenidade, e de toda essa sabedoria, mas não só por isso. É muito mais do que tudo o que há em você, porque é o que vem de você pra mim, e o que tenho de mim em ti, e que me completa, me transborda tanto, me derrama inteira, pra depois me juntar em todos os abraços e em todos os beijos que são só meus. 

Morar nesse amor... é tudo o que eu queria pra uma vida toda. Para toda a vida de deliciosa bagunça com você.

Mas parece que algo deu errado aí pelo caminho... e, “só por hoje”, eu não pude dividir minha rotina, nem matar minha saudade, nem sonhar com a próxima sexta-feira... Por que há outros passos que não os meus pisando por aí? Por que você deixou que isso acontecesse? E nem são só essas pisadas erradas, mas é também o seu desalinho, que ora segue pra mim, ora estanca, empaca, olha pra trás, não sabe se vai ou se fica, e aí eu preciso parar. Eu preciso de ar. Porque, sozinha, eu não sei, não posso lidar com isso.

Eu fico lembrando de tantas conversas, e de tanta troca que é só nossa... e vejo toda essa cumplicidade e parceria, e fico numa imensidão de felicidade, pois que vejo uma chance, pequenina, talvez, de seguirmos juntos, bem juntos, nessa estrada confusa e tortuosa, porque, com você, fica leve. Às vezes, juro, não nos enxergo de outra forma senão grudados, contando o tempo, as moedas e as fichas de açaí pra mais um momento, uma sobremesa, um pós-cama, uma viagem, um recomeço. E todo o medo vai embora. Mas eu não sei lutar, não sou de briga, e nem de teimosia. Sou obediente até demais... tenho aprendido que só há amor na entrega, então, se não é de mim que sente saudade, se eu não sou a dona do teu sorriso, esse lugar não é pra mim. Não é falta de querer, veja bem. É pelo pouco de sanidade e, por que não dizer mais uma vez, dignidade, meu Capitão, que preciso ir embora. Não em boa hora, porque o tempo ficou triste e nublado por aqui, mas no tempo em que é chegada a hora de partir.

Apesar de tanto mar, tanto querer, e tantas estrelas, não se pode querer sozinha.

E como eu “só sei ser inteiro, não sei ser pela metade”, digo que preciso ir. Acredite: as suas meias-verdades doeram mais em mim.

Não há o que perdoar, porque não houve crime algum. Não houve nada. E houve um tanto. E foi tão bonito... foi imensidão, não foi?

E, se eu pudesse te fazer um pedido, te pediria pra ficar um pouco mais. E te faria meu melhor café, te daria meu mais quente abraço, e te diria, no meu melhor beijo, quanto amor ainda cabe em mim. E nesse segundo, eu perderia tudo, e me ganharia toda se você ficasse.

Está tudo bem, meu Capitão... Eu tive a sua madrugada, e tive mais: você me fez feliz, porque me deu o amor que havia em mim, e eu sempre lhe serei grata por isso. 

E como eu não sei como terminar essa carta, te dou esse mesmo amor, o meu "até um dia, até talvez, até quem sabe...” e todas as minhas incertezas.

Gilda.

18/04/2018.

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