6 de janeiro de 2011

Por ora...

Dizem que esse é o meu melhor texto... Talvez. Embora ficcional, a vontade de que seja verdadeiro perdura. Ah, pudera eu amar e ser amada assim!
Serei, então, nos meus sonhos, na minha poesia livre e na minha saudade.
No mês de aniversário, por que não libertar o amor e a poesia e acreditar unm pouco mais?!



Desde a nossa última fuga, tenho vivido a sonhar cores e formas que venham de nós. Me vejo a solfejar suspiros e a ensaiar fragmentos, pois cá estou, deslumbrada com aquilo que, diríamos, não poderia ter acontecido. Meu Amor, quisera o universo que nos uníssemos nessa incontestável aventura, cheia de quintais, paredes geladas, quartos seguidos de escadas, libidos, violões, tremores e ais. E esse mesmo universo que presentemente nos desune, me faz a mais realizada e plena das humildes, porque só a quente lembrança do tenro e furtivo inverno já me garante o mais profundo e perfeito calor.

Emoção, eis que agora, logo agora, só me reconheço em ti. Me conheço cada vez menos. Logo eu, que não queria mais ver fé em amores vãos. Ah, quão ingênua pode ser uma triste e solitária balzaquiana, meu querido! Saibas, sei que não mais serei tão só, porque em ti ficou algo meu, e em mim ficou algo seu. Que me importam seus amores de então, se te vejo ainda em minha alegórica, onírica e carnavalesca paixão, que é tão real e sonhada para mim? Tenho, Amor, a plena certeza dos nossos sonhos, das nossas saudades, das nossas mãos e pés, tão perdidos, tão unidos nessa confusão de sentimento e dor. Não há como negar você em mim, pois que fecho os olhos e te sinto nas minhas longas melenas, nas minhas escuras retinas, nas minhas afáveis entranhas.

Como poderia não me ver nesses olhos de maré e rio, calafrio, ferrugem nos meus, nos seus olhos, na minha boca, vermelho dos nossos cheiros, cinza e céu nos nossos dias?

Quero viver pra te encontrar de novo, Amor! Hoje, sei que fujo, mais uma vez, de ti.

É preciso! Os deuses me privam do direito de te levar de outras flores. Você é flor, cravo proibido, e nem todo o dinheiro da Malásia e China, nem todo ouro da Indonésia, nem a posse das mais ricas esculturas de sal me permitiriam comprar-te. Ganhar-te. Roubar-te.

É pena. Tu não estás à venda.

E és tão lindo, tão perfumado, tão vaidoso e tão meu, que desdenho a distância, desacato a fidelidade, desoriento amores. Enciúmo amizades. E espero, paciente, a liberdade. Há de vir, e há de trazer consigo estrelas e marés, chuva e sol, areia e mar, em redes e barco de pesca e pescador. Sou paciência, Amor. Nossas noites chegarão, e eu não mais serei só. Não serei mais sem ti. Serei sua, alma e coração, entrega e beijos, delírios e música. Lancemos mão à calmaria e fujamos, sim, por ora.

Agora, apenas pense em mim. Sonho em ti, qual criança em lágrimas, implicante, a pedir colo. Essa eis que cresce, um dia, e aprende a obedecer as razões da vida.

Quem diria... Por ti, Amor, obedeço. E rezo. E um dia acordarei, enfim, e te avistarei, não mais em saudade. Mãos em mim de novo.

Amor!... O Tempo, tão Certo, nos dará um ao outro.

E o Sempre, quiçá, nos fará companhia.

Por ora, estou vazia. Salobra. Nem doce, nem salgada.

Misturada.