28 de setembro de 2010

Nota sobre um velho poema

"Hoje é um dia interessante, muito interessante pra escrever coisas novas no blog.

Coisas velhas também.

Coisas que mudam, coisas que morrem, coisas que renascem.

Coisas que se perdem.

O tempo, perverso, porém, não me deixa outra saída, a não ser escolher um poema antigo que, apesar de "velho", traduz um pouco dos sentimentos sobre essas coisas.

Talvez, no verão, o tempo fique mais ameno e mais amigo, e me reserve um momento para escrever.

Os sentimentos serão outros, é verdade.

Não importa.

Eu me lembrarei de hoje."

Em, 23.10.2009



"Hoje o amor morreu
Com ele, foi-se um pouco da poesia
Que vivia dentro de mim.
E sem o amor
sem a poesia,
não sou eu.

Nunca mais serei a mesma.
"



Já faz um ano que escrevi esse texto, acompanhado do poema. Hoje, ao vasculhar meus rascunhos, pensando no que publicar, me vejo a contemplar esse novo-velho fragmento, que, de tão atual, merece ser postado.

Espero que, no ano que vem, os ânimos sejam outros...

23 de setembro de 2010

Jacaré

Um dia, ouvi uma música nova
com rimas de aula
e madrugada

Das surpresas
que não esperava,
das músicas que não houvia,
vieram as risadas que não dava
e a saudade que não sentia.

E desde esse dia,
Sou poema novo
Serenata, versos e vinhos
Futebol, cerveja e cemitério
(não me leve a mal...)

Olho, não me enxergo
Não vejo sala, quadro ou giz
Em ti, broto, esqueci-me
Não sou mais professora:

Virei coruja-aprendiz.

Gilda.

20 de setembro de 2010

Antes do hoje

Sinto um vazio antigo
Vejo a vida
As cores e os amores
As brigas

Fico feliz
Sorrio
Enquanto bebo com os meus
Esqueço
Sei que esqueço

Mas...
Ai que me lembro
E padeço
Por quem já
Quiçá
Me esqueceu.

13 de setembro de 2010

Onde andarás?

Sabe,
Fiquei te esperando
Te espreitando
A te buscar em navegações suspensas
Cores azuis, lilases, arroxeadas e pretas

E de letra em letra
De traço em traço
Fui nos lembrando em poesia e verso
Noite quente-frio, Risos de outrora
Gosto de coisa grande
Você, meu-só

Tu não vens

Eu não te vejo, não consigo te ouvir

Ainda te sigo
Te sinto
E te espero

Como agora.

11 de setembro de 2010

Daquele olhar

Vejo uma esperança verde
Pousada no azulejo azul
Será?
Quase vi um rabisco
Pensei que era um borrão

Mas não.
Era ela.
Verde esperança
Inerte,
Paciente,
Expecta.

Sorumbática,
Ela olha
Desdenhosa
Para os inconscientes

Nem me vê
Nem me sente.

Ausente,
Espera Verde
A felicidade
Amadurecer.

20.10.09

8 de setembro de 2010

Para Jérssica



Estar aqui, nesse sol, nesse lugar... Muito calor! Muita saudade, muita vontade de não estar. Há a boa música, é verdade! Também, se assim não fosse, diria que tudo estaria muito ruim. Mas não está. Temos muito o que conversar, recordar, dividir, pensar. Muito ainda a sonhar. Em casa, no almoço, no telefone ou na internet. Há planos! O final de semana sempre promete, mas, da vida, estamos a esperar mais, muito mais do que farras e reggaes, beijos e amores vãos. Futuro feliz, bem-sucedido, com marido e filhos. Por que não?

Pois é, minha cara! Sei que tenho lhe prometido um fragmento antigo. E sei também que já deveria ter saído... Mas há um bom motivo para que não viesse antes. Tu não eras minha! Não havia entre nós tamanha afinidade, tamanha sincronicidade como agora. Não é tão agora assim, convenhamos. Porém, é algo crescente e, já poderíamos dizer, inseparável. De mim, de você, de tudo o que temos dividido juntas.

Antes, me era cara, claro. Algo como uma persona ligada a mim por outras pessoas. Eras do meu irmão, e por isso a nossa convivência era natural. Mas não amiga, cúmplice. Dividida na dor, nas confidências, nas tristezas, nas desilusões. E também na felicidade, nos aprontes, nas aventuras, nos bares, na dança e nas ilusões. Como é o nosso hoje: diferente, há muito, do que um dia fora. Não nos apresentamos mais como afins, cunhadas, parentes. Eu não a vejo mais como companhia do outro, e sim como companheira quase que inseparável dos nossos momentos tão caros, ora bons, ora ruins.

Hoje, somos uma espécie de complemento uma da outra, quase que um equilíbrio mútuo. Vês? Eu, nos excessos rompantes, muitas vezes em descontrole total. Mas não menos sonhadora e otimista... Tu, pé atrás, paciência e bom senso. E também não escolhas, renúncia e negação. Juntas, dividimos os excessos, abraçamos a (in)sanidade e saímos em busca do nosso melhor momento: a tão sonhada plenitude do e no amor...
Eu sabia, minha cara, que esse texto sairia, mais dia, menos dia. E sabia que seria especial. Teria cara, gosto e textura de coisa de perto, coisa única, coisa nossa. Amizade.

E eu espero mais. Mais momentos, mais cumplicidade, mais afinidades do que agora. E por que não mais Chico Buarque, mais drinks, mais cerveja, mais forró, mais Natal e muito, muito mais aventuras?! Queremos mais risos, gargalhadas, noites mal dormidas ao léu, viagens de 30 horas, Cais 43, poesia e Nana com vista para a Luiz Navarro; Fotos e estripulias com o Loiro lindo; paqueras, samba, MPB, violão e voz. E nós, juntas. Em agradecimentos e lágrimas de formatura. Em discurso de aniversários e natais. Em São João na chuva, chuveiro frio e entidades embriagadas. Meninos do Asa em porres de vinho, tinto ou suave, você escolhe. Sem ressaca da próxima vez, por favor...

É isso. Não sei terminar, porque sinto que esse fragmento não tem fim. Nós apenas começamos.

Te desejo, e busco contigo, toda a felicidade possível a uma mulher tão incrível, tão linda, tão forte e decidida, tão ferozmente sensível e romântica! A quem eu elegi como presente na minha rica lista de amigas.

Aliás, você é muito mais que uma amiga. É uma grande irmã que tive o prazer de escolher como minha.

Sejas, minha querida, imensamente feliz!

Esqueçamos os homens ruins, por ora, e desejemos e sonhemos apenas com os bons, os que realmente nos merecerão... e se eles não vêm, então, brindemos à felicidade de sermos livres. Como não?

Eu te amo, Jérssica!

E como não poderia deixar de ser, música de Chico, pra você.

Thais Dultra.

27.08.2010.

Ouça um bom conselho
Que eu te dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado
Quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo,
Deixa esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Haja duas vezes antes de pensar
Vou atrás do vento
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade

4 de setembro de 2010

Lule, aniversário!


Esse é um ano diferente, minha amiga! Não poderei te dar aquele velho abraço, nem tomaremos aquela cachaça de sempre. Não faremos muitas coisas hoje, é verdade. Mas algo eu tinha que fazer pelos seus 26 anos. E alguns tantos, muitos, de amizade. Então, que venha o bom e velho fragmento!

Dizer que te amo, que você é a minha grande amiga já virou clichê. Tão simplório, que já é esperado... isso eu digo, claro, e direi sempre. Mas tenho ainda muitas coisas boas a dizer de ti, e de nós, em tantas afinidades e momentos divididos juntas.

Que você é muito especial, muito linda, e uma grande irmã. Que sempre esteve e sempre estará do meu lado, e eu do seu, sempre, sempre. Que eu admiro a sua coragem, dentro da sua loucura organizada e perseverante. Que eu queria ser como você, em muitos dos seus melhores aspectos, e você queria ser um pouco de mim também. Juntas, somos completude, e nos tornamos um quê de sincronicidade inexplicável para os outros.

Só para os outros...

Acontece, minha cara, que este ano, apesar dos ditos e não ditos, é estranho. Estranhamente maravilhoso para ti, inegável dizer! Há alguns dias, você me disse: “em quatro meses consegui exatamente o que planejei...”, e “agora vou ter que planejar dois”. E eu fico imensamente feliz por toda essa realização. Essa coragem admirável te levou até Londres, e agora vai te levar pra Dublin. E te levará pra onde quer que vá, porque o lugar, as pessoas são indiferentes. Você é, você chega, você faz. E se faz perceber, impor, ser vista. Conquista! É tudo lindo, tudo do jeitinho que você sonhou. Show!

Há um ano, estávamos inaugurando a sua nova casa, em Salvador. E já foi um passo grande para as suas curtas e grossas pernas de bailarina. E difícil pra mim, é sabido. Comemoração de quatro dias, fragmentos, manequins despidos, Mamão, Imbuí, posto, águas. Quintal da sua casa. Acampamento. Amores antigos, amizades novas e velhas, família, felicidade.

Hoje, um abraço virtual. Eu, aqui, escolhendo as palavras pra dizer “parabéns pra você”, desejar votos de amor e paz, sem que perceba a minha saudade sufocada. As minhas queixas não ditas. As minhas lágrimas contidas. E a minha confusão entre te ver bem e feliz por aí, e ao mesmo tempo triste por estar tão longe de mim. Não só hoje, mas em dias de chuva e trovão, tempestades de granizo, noites em claro.

Ah, mas as boas lembranças de nós logo me fazem sentir bem. Você está comigo o tempo todo mesmo! Nos sambas. Nas minhas melhores bebedeiras. Nas conversas hilariantes com Flávia. Nos conselhos dramáticos a Jérssica. Nas conversas idiotonas com Ítala. Nas cervejinhas com Neide. Nas melhores músicas que ouço, principalmente as dançantes. Nas nossas fotos. No meu celular. Na webcam. Nos amigos que encontro perguntando sempre por ti. E aí me dou conta que sempre estaremos juntas. Nas maiores distâncias, nos piores problemas, nos melhores momentos. Então, fico ainda mais feliz por te ter como minha amiga.

Eu teria muito mais a dizer, porque o assunto não se esgota em nós. Poderia descrever o meu dia, falar das minhas saudades, das minhas cotidianas desilusões amorosas, do último reggae, das mais recentes travessuras.

Mas não hoje. Deixa pra amanhã. Hoje apenas te desejo, e torço contigo, minha grande amiga, pela sua mais plena felicidade. E que o seu dia seja lindo e cheio de luz.

Sabe, o abraço de hoje espera.

O amor, não. Esse não passa. Não para.

Eu te amo.

Vou brindar, com vinho seco, chocolate e goles de água o seu dia.

Beijo camaçariense, soteropolitano, baiano, nordestino, brasileiro.

2 de setembro de 2010

Dias daqueles

Há dias e dias.

Dias em que me vejo alegria, pomba multicor, a buscar água e comida em pratos alheios. Aí, leveza e paz me invadem. E vão além, muito além das asas puras e brancas do cortejo nos ares.

Dias abóboras. Sol morno, em que pouso ver o vento, sem ida nem vinda. Ali, apenas. Calmaria em dias de maré baixa. Nesses, sou peixe-pena, nadando a esmo, em mim.

Há os dias de granizo. Em tudo vejo cinza e breu; cores sóbrias, marrons tons tristeza, torrentes de cachoeira, pé d’água. Nesses, nem guarda-chuvas me servem. Ruins dias, ruins difíceis. Sou vira-lata molhado: sem abrigo, sem comida, sem amor. Ilhado em si.

Dias de sertão. Amarelo-ouro, poeira e cachaça. Nesses, vejo carcaça velha e depenada. Nem carcará suporta tanta fogueira e fel. Não há, no céu, indícios de água. Sou burrego tísico, faminto. Só mato seco e sol. Só.

E há os últimos. Dias como o de hoje. Música e poesia trazem o choro. E a irritação de humores maus. Há goteiras no banheiro, topada no dedão, cara feia, muxoxo e choro de canto de olho. Dia sem cor. De arrependimento e mágoa. Unha no coração apertado. Calado, sem ar. Sou bicho de pé, formiga desalinhada, inseto agonizante de inseticida barato. Dia chato.

E nessa profusão de dias me vou, ora vento, ora sertão, brisa, chuva ou mar. Misturo-me em coisas e bichos, tempos e cores. Rumores de amores, lembranças e vontades. À espera de um dia em que me veja, plenitude, felicidade.

Por ora... só saudade.

Do pôr-do-sol

O sol está se pondo
na porta da minha janela
na janela da minha garagem sem janela
Olho através
me vejo em cores
tom pastel
Naquela luz, naquele azul amarelado
imaginando sons laranjas
e ouvindo músicas de rock safra ruim
Na porta da minha janela
vejo lembranças de antigos sóis
eram coloridos
podia ver os lilases acobreados
misturando-se às nuvens branco-cinza
não havia chuvas nos arco-íris
tudo o que eu tinha era a espera da lua nova
depois do cravar do sol
Ah! Tempos de luas de amores
janelas abertas para bons sonhos de amanhã
um dia me esqueci de mim
e desaprendi ilusões
Hoje, da janela da minha porta
os olhos são os mesmos
as vistas, porém, são opacas
e todos os pores, por fim
tornaram-se noites de escuro
no breu de mim.

Gilda Valente e Maria Russoleen, 28/08/2010.

Dele

Por que você me olha assim?
Não faz isso...
Eu o vejo, com a mão no queixo,
Como que a me elucidar os pensamentos
As agruras
As angústias
Ele nada me diz
Não com palavras de voz
Mas as palavras desses olhos
Ai, esses, ardósia que eu tanto amo
E desejo mais que morango com chantilly
Apesar de nunca ter comido
Aí, quando ele me fuzila
E me prende profundamente
Nesses vidrilhos verdes
Tão verdadeiros
Que quase penso serem meus
E ele me vê
Só a mim
Como nenhum, ninguém
Eu me sinto tão nua
Tão sua
que quase tiro a roupa pra mostrar meus peitos novos
mas, eis que exito
porque o seu olhar
Que eu vejo em branco e preto
não me pede sexo
não me pede nada
apenas me dá
calafrios,
o pensar
e me deixa atônita,
louca,
calma
alma,

Mar.

Ai, esse olhar, esse olhar...