27 de dezembro de 2010

It's just an e-mail

Eu te amo.

E é uma pena, pra mim, ainda cultivar esse sentimento.

Claro, há muito que vangloriar e sorrir.

Mas hoje, há muito que lamentar.

Lamento, então, toda a minha Saudade,

Essa, com S maiúsculo, porque é ímpar, singular, peculiar. Eterna.

Lamento toda a minha mágoa, que, por mais que tente, não consigo deixar passar.

Você não passa. Renova-se a cada dia, a cada sonho, pesadelo à noite acordada.

Lamento a minha tristeza de hoje. E de ontem, e do dia em que brindei os sete por três dias, e de você não tive nem a lembrança da nossa data.

Lamento minha inveja, ao te ver sorrir, comprar brinquedos novos, brindar amores que não o nosso. Invejo as suas más companhias, porque não sou eu a estar te mal acompanhando.

Lamento a minha raiva, a minha vontade de não te ouvir, não te atender, não te ver, não te querer. E imediatamente querer enlouquecidamente um segundo, que seja, de você.

Lamento minha vontade. Ela é só minha, não vejo nada vindo de você.

Pronto, virei o próprio muro das lamentações. Só lamento, reclamo, esbravejo, pois que é tudo o que eu posso fazer.

Agredir, espernear, chorar. Beber, rir, difamar, chorar de novo. Te chamar o tempo todo, te esperar, te ver em tudo, e inutilmente não te achar em nada.

E continuar a buscar. Continuar a te amar.

Inútil e lamentavelmente.

Que pena.

8 de dezembro de 2010

Para Musa

Vou te contar numa manhã de sol
Que serei tua
Contar a ti, a eles, a todos
Que de todos os olhos os teus negros
Me tomam e me levam longe

E o teu riso tímido avisa
Junto às formas todas
Delicadamente traçadas
A hora de parar

E por que parar, se em ti me vejo tanto
E não há o que temer
Nem por que ir
Não se deixa o infindo
O inédito
O surpreendentemente gostoso
E lindo

Descobrir, invadir a casa no banhar,
E achar no recôndito quarto o despertar
Do ser na varanda sol nascente,
Celeste coloridamente melanciado à espera da degustação dos caroços
Pingados em pernas cruzadas revelando o escondido

O que me faz parar me faz partir
Vejo tanto de ti em mim
Temo a dor, o amar
E assim por que não sei...
Infinitamente desejarei o inédito
O gostoso prazer de imaginar
O ali, aqui, aí...

(Em ordem de confusões) Zelina, Thais, Vinícius, Bibo.

04 dez. 2010.

Fragmento abertura do verão

O verão começou. Não é 2006, mas está tudo lindo e tudo certo como dois mais dois são cinco, e, enquanto isso...

Estamos aqui, tomando uma breja para celebrar a estação do pecado.

Desfrutar das tentações que nossa Bahia maravilhosa tem a nos oferecer, curtindo cada minuto como se fosse o último. E verão rima com Bahia.

Que rima com delícias, feijão da Adelaide na Band, aquele jazz alemão-português, táxis e mais táxis de bares fechados, e mais dia e noite de abertura. Sem fechar.

E é tanto, tanto que nem se pode pensar. É pecado e calor, é agonia e vento nos cabelos, bocas e bocas, e frio, e torpor. É isso, e eu nem quero pensar. Vamos fazer! Vamos estar aqui,

e lá, e acolá numa frêmita extasia de buscar o que um dia foi saudade do que não foi... guardar pés alquebrados, banhados em barras madrigais que te afogam sem mar, ar...

Então, o samba se faz presente, sempre, agora... ele te faz sorrir, esquecer, na verdade aquecer a lembrança do que foi vivido, o degustar do presente e o sabor de provar das entrelinhas da “abertura de um novo verão”.


(Em ordem de confusões) Juninho, Lorena, Suelem, Thais, Zelina, Vinícius, Bibo.


03 dez. 2010.

26 de novembro de 2010

E se hoje fosse outro dia?

A casa varreria
Dos amigos eu seria
Do sofrer me escondia
E assim eu serei...

Como a noite sem fim
Mergulhada ao silêncio das ruas
Em notas cruas, vazias
e acordes ruins

Se hoje fosse outro dia
Rimas novas escreveria
Em versos e letras em que pudesse me ver
Num novo e profuso voo
De liberdade e porta aberta
Sem amarras de um amor
mal-lavado,
mal-cheiroso,
mal-acabado.
Aliás, cadê meu espelho, onde nova me ver poderia?
Ah, se hoje fosse outro dia, eu sim, poderia
Renovada e refeita,
Me ver e rever.

No dia de outro tempo,
Desmonte do pensamento,
Surpesa em vermelho falhante
De mulher mutante...

Se fosse mesmo um outro dia...
Eu reinventaria todo o meu ser
Todo o meu eu
Eu seria além de mim
Um outro alguém
que não você.



"Fechou abertamente".

Bibo, Zelina, Thais, Vinícius, Josy.

26.11.2010.

Em Bin.

21 de novembro de 2010

Das declarações e Constatações

Abre amor os teus braços,
Deixa-me partir,
Que eu quero fugir,
...Dos beijos teus,
A noite é linda,
E sorris para mim,
Mas mesmo assim,
Direi, adeus,
Não, não me queiras prender,
Meu doce amor,
Do teu calor,
Devo fugir,
A madrugada,
Vai em breve findar,
E eu não posso ficar,
Abre os teus braços,
Deixa-me partir.

Nelson Gonçalves

Ganhei essa música, na madrugada de segunda, que ainda nem ouvi, mas dela me saiu um fragmento de amor, só de amor. O que sobra, de tristezas, são excessos, rompantes desnecessários, rotina dos meus dias sem você.

E eu que estava, madura e sublimemente, a consolar-tes, meninas...
Olha só quem é que está "triste e chorosa" agora... tsc, tsc...


Ao menos estou feliz, pois que tenho, dele o amor, ainda que não o tenha. Dele, essa música, ainda que triste. De mim, a palavra, calma do meu ser. E esse, tão ímpar, fragmento de madrugada.

E eu, ainda, tão repetida e inutilmente, apaixonada por você.


Das declarações e Constatações


Ah, meu doce amor, como podes, ao longo do tempo, emocionar-me, em tantos altos e baixos, ora em felizes, ora em cruéis palavras? Mata-me, amor, a cada amor que vem de ti, e a cada ódio desvelado, deslavado e desumano que confundes, em vão, em mim. Acaso esquecestes que é de Deus a dávida do perdão? Então? Por que não fugir uma vez mais, encontrando-nos, o outro no um, como outrora?

Ah, eu que fui a sua flor, o seu castiçal, o seu mais puro deleite daquelas noites vãs... Hoje sou um lembrar doído, um fantasma, uma sombra de saudade, um pranto tristonho do que um dia, em ti, fui tão feliz.

E de amor em amor me vou, e de ódio e perda fico-me, a soluçar a nossa saudade, a sentir o teu abraço, olhos fechados, o velho cheiro de pele e mar, tão peculiares de ti. E a desejar-te baixinho e fundo, tanto que quase enlouqueço. Desoriento-me. Hei de renegar-me, embora não aqui.

Imploraria, se pudesse, bem sabes que sou dessas. Se soubesse, ao menos, que ouvirias o meu lamento, setenta vezes sete o repetiria, das mais possíveis formas e jeitos. Com tréguas de beijos e cabelos de cortinas, entre tantas e tantas criativas loucuras. Só pra te cantar uma vez mais, em vozes de Roberto e Bethânia, Nara e Chico, e muitos, muitos outros. Só pra, de vez quando, nos ver sorrir de novo. Acreditar nesse possível é abrandar a dor. E te pedir, daquele jeito, pra ficar, e nunca mais se ir de mim, é apenas um sonho vil.

Porque foste tu, meu bem,

O desalento da minha longa madrugada,
Desassossego dos meus infinitos dias,
Tristeza da minha alma,
Saudade de todo sempre,
Amor da minha vida.

E eu não sei, perdão, o que fazer com isso...

13 de novembro de 2010

Desencanto

Poema inspirado numa amiga chorosa e triste.
Um dia passa!
O poema, no entanto, fica.


Ai, que choro.
Dói.
Sinto saudade.
E ele nem era o amor da minha vida.
Foi tudo passional
Consensual
um contra-senso.
Que me importavam suas ex-de-agora,
seus amores vãos?
Que me dizem os violões arranhados,
e os discos marcados
de declarações vis?
Ei me dei
e me fudi.
Agora,
aqui me vejo,
assim,
a conter essa lágrima
Essa súplica
Esse pedaço de ti em mim.
Nem sei por quê.

Que pena.
E ele nem era o meu grande amor.

Que merda.

11 de novembro de 2010

Sobre Deus e o Tempo dos amores

A ti, Amor, entrego-te ao tempo
e o Tempo é Deus.

Ele me quer bem, eu sei
Me vê: nos Seus olhos, há súplica
e um pedido de atenção no amarrar dos cadarços
eu não vejo.
Não consigo.
No fundo, não quero.

Só sei fazer e teimar à minha maneira
O meu laço é frouxo, eu caio
Ele chora: já sabia da minha queda,
que não te deixaria,
não consigo Te esquecer, Amor

Meu Pai me olha mais uma vez, tão triste,
E me vê tão pequenina, tão frágil
e não me acha estúpida, apenas teimosa.
Me pega no colo, me beija a face e diz baixinho:

“- Vai, filha, errar mais uma vez. Eu estou aqui, viu?
E eu te amo. Mas vai, erra. Cai. E aprende.
Quando voltar, Te ensino o laço novo”.


Eu, criança, não Lhe dou ouvidos.
Só ouço o Agora,
a minha Dor, a minha Saudade,
maiores do mundo.
Egoísta que sou, esperneio,
choro, peço ajuda, faço birra,
fico de mal.

Meu Pai, infeliz, não se aborrece.
Ele nada pode fazer,
a não ser rezar
e esperar o Seu Tempo,
O Tempo de Deus,
Agir em mim,

Agir em nós.

Thais.

11.11.2010
(conversando com Nice)

9 de novembro de 2010

Vida e morte

A gente faz poesia como quem vive
Por vida, pelo belo, pelo amor, pelo sublime.

Tudo, o tempo todo,
a todo o tempo.
Dorme, come, respira, transa,
Briga, bebe
e sonha poesia.

Às vezes, de fato,
de nada se tem vontade.

E só
ela,
nossa,
toda,
bela,

Nos completa, nos invade, nos alimenta.
Com suas metáforas, metonímias,
cataclismas linguísticos.

Vamos nos enchendo
e enchendo a tudo
de poesia...

E, se ímpetos de partida nos acomete,
A gente faz poesia como quem morre.

Poesia para o sexo

Este poema é uma das primeiras produções do Penseiros do Quiprocó.
Saudades dos penseiros!!!


Transando comigo, contigo,
Com você,
Com ele,
Só com ela.

Queremos acabar todos nus no Pirâmide!
Queremos noites de sexo
De auto-carícias
Palavrões
Palavrinhas
Coisinhas ditas
E não ditas

O silêncio falante
Do desejo louco
E voraz.

Talvez toda essa pulsação para o sexo
Venha do sábado
“porque hoje é sábado”.
Ou teria sido ontem
E ninguém viu?

Acontece que nada aconteceu...
...ainda!...


Thais, Vinícius e Lule.
31. 08. 04

28 de setembro de 2010

Nota sobre um velho poema

"Hoje é um dia interessante, muito interessante pra escrever coisas novas no blog.

Coisas velhas também.

Coisas que mudam, coisas que morrem, coisas que renascem.

Coisas que se perdem.

O tempo, perverso, porém, não me deixa outra saída, a não ser escolher um poema antigo que, apesar de "velho", traduz um pouco dos sentimentos sobre essas coisas.

Talvez, no verão, o tempo fique mais ameno e mais amigo, e me reserve um momento para escrever.

Os sentimentos serão outros, é verdade.

Não importa.

Eu me lembrarei de hoje."

Em, 23.10.2009



"Hoje o amor morreu
Com ele, foi-se um pouco da poesia
Que vivia dentro de mim.
E sem o amor
sem a poesia,
não sou eu.

Nunca mais serei a mesma.
"



Já faz um ano que escrevi esse texto, acompanhado do poema. Hoje, ao vasculhar meus rascunhos, pensando no que publicar, me vejo a contemplar esse novo-velho fragmento, que, de tão atual, merece ser postado.

Espero que, no ano que vem, os ânimos sejam outros...

23 de setembro de 2010

Jacaré

Um dia, ouvi uma música nova
com rimas de aula
e madrugada

Das surpresas
que não esperava,
das músicas que não houvia,
vieram as risadas que não dava
e a saudade que não sentia.

E desde esse dia,
Sou poema novo
Serenata, versos e vinhos
Futebol, cerveja e cemitério
(não me leve a mal...)

Olho, não me enxergo
Não vejo sala, quadro ou giz
Em ti, broto, esqueci-me
Não sou mais professora:

Virei coruja-aprendiz.

Gilda.

20 de setembro de 2010

Antes do hoje

Sinto um vazio antigo
Vejo a vida
As cores e os amores
As brigas

Fico feliz
Sorrio
Enquanto bebo com os meus
Esqueço
Sei que esqueço

Mas...
Ai que me lembro
E padeço
Por quem já
Quiçá
Me esqueceu.

13 de setembro de 2010

Onde andarás?

Sabe,
Fiquei te esperando
Te espreitando
A te buscar em navegações suspensas
Cores azuis, lilases, arroxeadas e pretas

E de letra em letra
De traço em traço
Fui nos lembrando em poesia e verso
Noite quente-frio, Risos de outrora
Gosto de coisa grande
Você, meu-só

Tu não vens

Eu não te vejo, não consigo te ouvir

Ainda te sigo
Te sinto
E te espero

Como agora.

11 de setembro de 2010

Daquele olhar

Vejo uma esperança verde
Pousada no azulejo azul
Será?
Quase vi um rabisco
Pensei que era um borrão

Mas não.
Era ela.
Verde esperança
Inerte,
Paciente,
Expecta.

Sorumbática,
Ela olha
Desdenhosa
Para os inconscientes

Nem me vê
Nem me sente.

Ausente,
Espera Verde
A felicidade
Amadurecer.

20.10.09

8 de setembro de 2010

Para Jérssica



Estar aqui, nesse sol, nesse lugar... Muito calor! Muita saudade, muita vontade de não estar. Há a boa música, é verdade! Também, se assim não fosse, diria que tudo estaria muito ruim. Mas não está. Temos muito o que conversar, recordar, dividir, pensar. Muito ainda a sonhar. Em casa, no almoço, no telefone ou na internet. Há planos! O final de semana sempre promete, mas, da vida, estamos a esperar mais, muito mais do que farras e reggaes, beijos e amores vãos. Futuro feliz, bem-sucedido, com marido e filhos. Por que não?

Pois é, minha cara! Sei que tenho lhe prometido um fragmento antigo. E sei também que já deveria ter saído... Mas há um bom motivo para que não viesse antes. Tu não eras minha! Não havia entre nós tamanha afinidade, tamanha sincronicidade como agora. Não é tão agora assim, convenhamos. Porém, é algo crescente e, já poderíamos dizer, inseparável. De mim, de você, de tudo o que temos dividido juntas.

Antes, me era cara, claro. Algo como uma persona ligada a mim por outras pessoas. Eras do meu irmão, e por isso a nossa convivência era natural. Mas não amiga, cúmplice. Dividida na dor, nas confidências, nas tristezas, nas desilusões. E também na felicidade, nos aprontes, nas aventuras, nos bares, na dança e nas ilusões. Como é o nosso hoje: diferente, há muito, do que um dia fora. Não nos apresentamos mais como afins, cunhadas, parentes. Eu não a vejo mais como companhia do outro, e sim como companheira quase que inseparável dos nossos momentos tão caros, ora bons, ora ruins.

Hoje, somos uma espécie de complemento uma da outra, quase que um equilíbrio mútuo. Vês? Eu, nos excessos rompantes, muitas vezes em descontrole total. Mas não menos sonhadora e otimista... Tu, pé atrás, paciência e bom senso. E também não escolhas, renúncia e negação. Juntas, dividimos os excessos, abraçamos a (in)sanidade e saímos em busca do nosso melhor momento: a tão sonhada plenitude do e no amor...
Eu sabia, minha cara, que esse texto sairia, mais dia, menos dia. E sabia que seria especial. Teria cara, gosto e textura de coisa de perto, coisa única, coisa nossa. Amizade.

E eu espero mais. Mais momentos, mais cumplicidade, mais afinidades do que agora. E por que não mais Chico Buarque, mais drinks, mais cerveja, mais forró, mais Natal e muito, muito mais aventuras?! Queremos mais risos, gargalhadas, noites mal dormidas ao léu, viagens de 30 horas, Cais 43, poesia e Nana com vista para a Luiz Navarro; Fotos e estripulias com o Loiro lindo; paqueras, samba, MPB, violão e voz. E nós, juntas. Em agradecimentos e lágrimas de formatura. Em discurso de aniversários e natais. Em São João na chuva, chuveiro frio e entidades embriagadas. Meninos do Asa em porres de vinho, tinto ou suave, você escolhe. Sem ressaca da próxima vez, por favor...

É isso. Não sei terminar, porque sinto que esse fragmento não tem fim. Nós apenas começamos.

Te desejo, e busco contigo, toda a felicidade possível a uma mulher tão incrível, tão linda, tão forte e decidida, tão ferozmente sensível e romântica! A quem eu elegi como presente na minha rica lista de amigas.

Aliás, você é muito mais que uma amiga. É uma grande irmã que tive o prazer de escolher como minha.

Sejas, minha querida, imensamente feliz!

Esqueçamos os homens ruins, por ora, e desejemos e sonhemos apenas com os bons, os que realmente nos merecerão... e se eles não vêm, então, brindemos à felicidade de sermos livres. Como não?

Eu te amo, Jérssica!

E como não poderia deixar de ser, música de Chico, pra você.

Thais Dultra.

27.08.2010.

Ouça um bom conselho
Que eu te dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado
Quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo,
Deixa esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Haja duas vezes antes de pensar
Vou atrás do vento
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade

4 de setembro de 2010

Lule, aniversário!


Esse é um ano diferente, minha amiga! Não poderei te dar aquele velho abraço, nem tomaremos aquela cachaça de sempre. Não faremos muitas coisas hoje, é verdade. Mas algo eu tinha que fazer pelos seus 26 anos. E alguns tantos, muitos, de amizade. Então, que venha o bom e velho fragmento!

Dizer que te amo, que você é a minha grande amiga já virou clichê. Tão simplório, que já é esperado... isso eu digo, claro, e direi sempre. Mas tenho ainda muitas coisas boas a dizer de ti, e de nós, em tantas afinidades e momentos divididos juntas.

Que você é muito especial, muito linda, e uma grande irmã. Que sempre esteve e sempre estará do meu lado, e eu do seu, sempre, sempre. Que eu admiro a sua coragem, dentro da sua loucura organizada e perseverante. Que eu queria ser como você, em muitos dos seus melhores aspectos, e você queria ser um pouco de mim também. Juntas, somos completude, e nos tornamos um quê de sincronicidade inexplicável para os outros.

Só para os outros...

Acontece, minha cara, que este ano, apesar dos ditos e não ditos, é estranho. Estranhamente maravilhoso para ti, inegável dizer! Há alguns dias, você me disse: “em quatro meses consegui exatamente o que planejei...”, e “agora vou ter que planejar dois”. E eu fico imensamente feliz por toda essa realização. Essa coragem admirável te levou até Londres, e agora vai te levar pra Dublin. E te levará pra onde quer que vá, porque o lugar, as pessoas são indiferentes. Você é, você chega, você faz. E se faz perceber, impor, ser vista. Conquista! É tudo lindo, tudo do jeitinho que você sonhou. Show!

Há um ano, estávamos inaugurando a sua nova casa, em Salvador. E já foi um passo grande para as suas curtas e grossas pernas de bailarina. E difícil pra mim, é sabido. Comemoração de quatro dias, fragmentos, manequins despidos, Mamão, Imbuí, posto, águas. Quintal da sua casa. Acampamento. Amores antigos, amizades novas e velhas, família, felicidade.

Hoje, um abraço virtual. Eu, aqui, escolhendo as palavras pra dizer “parabéns pra você”, desejar votos de amor e paz, sem que perceba a minha saudade sufocada. As minhas queixas não ditas. As minhas lágrimas contidas. E a minha confusão entre te ver bem e feliz por aí, e ao mesmo tempo triste por estar tão longe de mim. Não só hoje, mas em dias de chuva e trovão, tempestades de granizo, noites em claro.

Ah, mas as boas lembranças de nós logo me fazem sentir bem. Você está comigo o tempo todo mesmo! Nos sambas. Nas minhas melhores bebedeiras. Nas conversas hilariantes com Flávia. Nos conselhos dramáticos a Jérssica. Nas conversas idiotonas com Ítala. Nas cervejinhas com Neide. Nas melhores músicas que ouço, principalmente as dançantes. Nas nossas fotos. No meu celular. Na webcam. Nos amigos que encontro perguntando sempre por ti. E aí me dou conta que sempre estaremos juntas. Nas maiores distâncias, nos piores problemas, nos melhores momentos. Então, fico ainda mais feliz por te ter como minha amiga.

Eu teria muito mais a dizer, porque o assunto não se esgota em nós. Poderia descrever o meu dia, falar das minhas saudades, das minhas cotidianas desilusões amorosas, do último reggae, das mais recentes travessuras.

Mas não hoje. Deixa pra amanhã. Hoje apenas te desejo, e torço contigo, minha grande amiga, pela sua mais plena felicidade. E que o seu dia seja lindo e cheio de luz.

Sabe, o abraço de hoje espera.

O amor, não. Esse não passa. Não para.

Eu te amo.

Vou brindar, com vinho seco, chocolate e goles de água o seu dia.

Beijo camaçariense, soteropolitano, baiano, nordestino, brasileiro.

2 de setembro de 2010

Dias daqueles

Há dias e dias.

Dias em que me vejo alegria, pomba multicor, a buscar água e comida em pratos alheios. Aí, leveza e paz me invadem. E vão além, muito além das asas puras e brancas do cortejo nos ares.

Dias abóboras. Sol morno, em que pouso ver o vento, sem ida nem vinda. Ali, apenas. Calmaria em dias de maré baixa. Nesses, sou peixe-pena, nadando a esmo, em mim.

Há os dias de granizo. Em tudo vejo cinza e breu; cores sóbrias, marrons tons tristeza, torrentes de cachoeira, pé d’água. Nesses, nem guarda-chuvas me servem. Ruins dias, ruins difíceis. Sou vira-lata molhado: sem abrigo, sem comida, sem amor. Ilhado em si.

Dias de sertão. Amarelo-ouro, poeira e cachaça. Nesses, vejo carcaça velha e depenada. Nem carcará suporta tanta fogueira e fel. Não há, no céu, indícios de água. Sou burrego tísico, faminto. Só mato seco e sol. Só.

E há os últimos. Dias como o de hoje. Música e poesia trazem o choro. E a irritação de humores maus. Há goteiras no banheiro, topada no dedão, cara feia, muxoxo e choro de canto de olho. Dia sem cor. De arrependimento e mágoa. Unha no coração apertado. Calado, sem ar. Sou bicho de pé, formiga desalinhada, inseto agonizante de inseticida barato. Dia chato.

E nessa profusão de dias me vou, ora vento, ora sertão, brisa, chuva ou mar. Misturo-me em coisas e bichos, tempos e cores. Rumores de amores, lembranças e vontades. À espera de um dia em que me veja, plenitude, felicidade.

Por ora... só saudade.

Do pôr-do-sol

O sol está se pondo
na porta da minha janela
na janela da minha garagem sem janela
Olho através
me vejo em cores
tom pastel
Naquela luz, naquele azul amarelado
imaginando sons laranjas
e ouvindo músicas de rock safra ruim
Na porta da minha janela
vejo lembranças de antigos sóis
eram coloridos
podia ver os lilases acobreados
misturando-se às nuvens branco-cinza
não havia chuvas nos arco-íris
tudo o que eu tinha era a espera da lua nova
depois do cravar do sol
Ah! Tempos de luas de amores
janelas abertas para bons sonhos de amanhã
um dia me esqueci de mim
e desaprendi ilusões
Hoje, da janela da minha porta
os olhos são os mesmos
as vistas, porém, são opacas
e todos os pores, por fim
tornaram-se noites de escuro
no breu de mim.

Gilda Valente e Maria Russoleen, 28/08/2010.

Dele

Por que você me olha assim?
Não faz isso...
Eu o vejo, com a mão no queixo,
Como que a me elucidar os pensamentos
As agruras
As angústias
Ele nada me diz
Não com palavras de voz
Mas as palavras desses olhos
Ai, esses, ardósia que eu tanto amo
E desejo mais que morango com chantilly
Apesar de nunca ter comido
Aí, quando ele me fuzila
E me prende profundamente
Nesses vidrilhos verdes
Tão verdadeiros
Que quase penso serem meus
E ele me vê
Só a mim
Como nenhum, ninguém
Eu me sinto tão nua
Tão sua
que quase tiro a roupa pra mostrar meus peitos novos
mas, eis que exito
porque o seu olhar
Que eu vejo em branco e preto
não me pede sexo
não me pede nada
apenas me dá
calafrios,
o pensar
e me deixa atônita,
louca,
calma
alma,

Mar.

Ai, esse olhar, esse olhar...

26 de agosto de 2010

Remanescências

Estou pirada.
Muito chateada, muito triste.
E daí, se tenho amigas em Londres, se tenho amigas em Dias D’Ávila, se tenho amigas sem identidade?
Eu não tenho cidade. Nem idade pra estar assim.
Esse vazio, esse nó.
Só.
Esse “preciso não dormir”. Mas o sono me vem. Que nem saudade de outrora. Ora! Acaso me conheces?! Acaso sabe o caos de me ver nascer?! Remanescer...
Dores de agora.
Desejos de outrora.
Não posso. Não devo. Não quero pensar em você.
É. Há reciprocidade inevitável.
Existe.
Mas eu a nego. Não quero.
Não deveria perder você.
Nem você a mim.
Perdi o freio. O frio veio.
Você nunca mais veio...
Nunca mais me verá.
Nunca mais viverá em mim.
Mesmo assim...

20 de agosto de 2010

Desculpe

Eu não deveria escrever-lhe coisas tão hostis, tão agressivas. Perturbar-lhe com meu despeito e minha saudade.

Eu, sinceramente, gostaria de dizer que faria tudo diferente. Mas não posso, porque eu não acredito nisso. Eu não consigo mentir. Não mais.

Não tenho tantos sonhos, e os antigos andam a me abandonar esses tempos. A desilusão desse nosso fracassado enlace e doloroso desenlace talvez sejam os principais responsáveis, ou talvez eu tenha passado tanto tempo me preocupando com a não perda, a não mágoa e o não rancor, que acabei por me esquecer de amar. Não de amar no coração, mas na vida, nas práticas diárias das coisas mais simples e íntimas que podem duas pessoas dividir.

Eu sou essa infame vil e descrédita, porque não soube te cativar uma vez mais. Ou uma vez. Egoísmos a parte, poderia acusar-te dos mesmos erros, mas, pra quê? Acaso mudaria a realidade do nosso tempo? Acaso aplacaria a cinza distância dos que sofrem e sangram pelos seus amores perdidos?

Eu não tenho amores. Não tenho nada, pois a mim me bastam os dias bons e ruins que contigo vivi. Lembranças do que se pode sentir. Ora, do que se podia sentir...

Hoje não me dou ao luxo de imaginar-me de mãos dadas com o amor. Firulas de casal. Luas lindas, estupidamente românticas. Vejo-as como grandes ilusionistas, tal que enfeitiçam pessoas em todo o mundo. E as fazem sofrer, mais dia menos dia. Claro, se não pela dor da imperfeição humana, pela morte certeira. Comigo, aconteceram ambas as agruras. Com homens iguais e diferentes, é verdade. Doídas e iguais.

O que não muda em mim. Sou planta linda, frondosa e florida; sorrio e balanço ao mais suave vento. Mas, olhe direito, e verá algumas gotículas de orvalho, teimando em pingar, principalmente em manhãzinhas de dias frios, como hoje. Lágrimas nem sempre são públicas! E às vezes, de tão secretas, passa-se por elas sem se dar conta da dor de quem as chora. “A dor da gente não sai no jornal”. E nem por isso dói menos.

Não é de todo ruim virar uma mulher triste e sem amor. Há a razão, senhora de tudo, acima de todos; por sua vez, companheira da lucidez, mãe das boas escolhas. Não há que se queixar da dor, se se vê futuros promissores, romances furtivos, livros exatos. Teses de professores renomados. E vazios. Um dia, quiçá, sem nem orvalhos em folhas murchas.

O que era apenas um desabafo, virou um fragmento metafórico e subjetivo. Eu nem sei se diria o sentimento de outra maneira. Agora só sei cantar assim, sem rima e sem verso, tristeza e saudade.

Saudade de hoje.

Saudade de sempre.

Mais uma vez, me desculpe.

Desculpo-me a mim, por não saber ser tão só.

Peço-lhe que não sejas como eu: não sejas infeliz no amor. Ainda há arco-íris na volta pra casa, de manhã, entre cidades vizinhas e conhecidas. Acredites que em algum lugar possa haver mais que ilusões coloridas. Realidade rosa, sonho verdadeiro, família feliz, filhos fortes. Amor.

Se ainda acreditasse, pouca coisa, que fosse, pediria a ti, que mostrasse a mim, uma vez mais, beijos lindos, noites de ontem, sonhos de nunca pra mim. Ilusão, meu caro!

Nem tu poderias mentir, nem eu conseguiria acreditar em fé e oração. Não peço, então.

Perdão.

Não sejas, meu Amor, tão silêncio e chuva. Pedra sem vida. Salgueiro triste.
Sejas sol. Azul e mar. Lentes de contato mel e nariz de palhaço. Algodão-doce e pipoca Gulosinha. Arrulho e balbucio de criança de manhã. Pôr-do-sol em fotos. Pegadas e corações na areia. Vida. Apenas.

Sejas, assim, mais feliz que eu.

19 de janeiro de 2010

Dó ré mi

Poema de minha mãe, feito para mim, quando eu tinha três anos.
Tanto coisa atual, tanta coisa verdadeiramente linda, que não haveria melhor presente de aniversário para os meus vinte e nove anos.
Veremos, então, o que me esperam os meus trinta.




Inocência linda e pura
Nestes olhinhos miúdos
Parte de mim
Que já não me pertence
Te dei ao mundo
E ao destino
E não posso sequer guiar-te à sorte

Mas posso e vou caminhar
Junto a ti, sempre.
Não está mais dentro de mim,
Não me pertence, mas é minha

Vou estar sempre junto a ti
E quando a mágoa
Ou a dor afligirem
Este teu coraçãozinho de anjo,
Eu quero apertar-lhe a mão bem forte.

Até a volta de um novo riso
Destes dentinhos pequenos
E que tanto te enfeitam a face.

Dó, ré, mi
Mais que três notas musicais
Mais que um tom
A continuação de um Bem.

Roseri, 11.02.85 (23 anos)