19 de outubro de 2014

Outubro

Amar você sempre tem dessas coisas.

Tem a gente no fim de semana novo,  cheio de programas profanos, comemorações, um pouco de família aqui, casamento ali, e algumas cervejinhas ao molho de macarrão, que ninguém é santo.

No começo, irritadiço, cheio de obrigações, cozinha, sexo e cansaço. Mas o seu peito de peru salvou, levou meu sorriso. Pronto! Lá vou eu, toda apaixonada de novo. Com queijo e tudo.

Tem lasanha, bolo e melancia pra jauá, acorda cedo, meu lobo, porque um domingo desses não acontece todo dia. Só uma vez no mês... Mesmo no repentino, no rotineiro e no inédito, cabem um pouco mais de afago, de cor e carinho leves, de toda a nossa maior paz e de todo o nosso mais que quente amor.

Admita: ser isso de amor a dois e aos montes foi a sua, a nossa melhor opção.

Parabéns, então.

Gilda.

24 de setembro de 2014

O tempo, ou dos dias com ele

Espero, ansiosa, pela hora da cama. O sono quase nunca vem, é verdade, mas agora a minha infinita insônia é de sorrir. É de amor.

Te esperar. Sigo a me ver em perfumes e cores, na cozinha do meu gabinete meia-boca, na nossa futura sala de sofás, dias e risadas. Nas minhas aventuras de pipoca queimada, cerveja no tapete, caco de vidro, violão, fragmento e sono.

Nossa rotina doce e calma é um dia qualquer, e mais um, e eu não sei o que deu em mim, mas não se pode guardar tanta felicidade. Tudo transborda nessa caixa de fósforos.
E na minha vontade.

A minha cama, que é toda sua em pernas, coxas, línguas, bocas e cuidados, esconde o escancaro dos nossos segredos e desejos de sempre. Nela, está todo o nosso ir e vir, nossos maiores planos, todos os meus anseios, nossas piores brigas. E, é claro, as nossas melhores pazes.

Tudo porque eu já não sei mais como se contam os tempos, as coisas e as horas, sem juntar os meus nos seus passos. As mãos e mistura de olhares. O reclamar da pia molhada, das roupas espalhadas, da areia de bagunça que você teima em deixar, e eu, em brigar, pra depois, te beijar e rir.

Do sussurrar da sua respiração, do roçar do seu abraço, posso ver o dormir e o sonhar a dois.

Todos os ventos, pensamentos, cuidados, música, poema e cansaço.

Mas é tudo um.
Inclusive, não há tempo.
Só dia um, todo dia.

Gilda.

14 de julho de 2014

Boa noite

Tenho meu travesseiro no seu cheiro.

Minha cama no teu abraço.

Seus melhores beijos, todos eles, no meu banheiro, sofá-cama, edredom, meu lençol.

No meu sonho, meu lobo, você chega e fica, traz mais um pouco de folga, planos, risadas e histórias pro nosso parque, os muitos sorrisos e todas as infinitas noites de nós.

Eu nem vi a lua, mas pra que, se não me falta nada, nem os muitos minutos de desejos e amor?

Com você, tudo transborda.

Partiu!

Gilda, 14.07.2014.

5 de julho de 2014

Os beijos do lobo


E por ser sem esperar, houve um novo sorriso.

E por que não?

Nem sempre a linha um traz o novo, o perene. A linha dois pode ser ainda melhor.

Que seja, então. Estou aqui para escrever, viver e rir.

Não há mais espaço para lágrimas nem apertos no coração. Todos os meus turnos se dividem entre o quarto, o banheiro, os novos passeios e o seu adorável sotaque.

A cama não é só minha, virou tobogã, imenso parque, mesa de jantar, café de todas as horas e palco de filmes do nosso gênero: amor amalucado, frenético, imparável e morno. Nosso!

Quando menos pensei que ainda caberia em abraços verdadeiros, me vejo com a cabeça deitada no seu ombro. Faço um cantinho pra mim ali, toda enrolada no teu cheiro, nesse corpo todo quente e todo meu.

Que surpresa boa você me saiu. E haja saliva, meu lobo, para todo esse seu beijo de boca cheia, levando todo o meu resto de ar, trazendo todo o meu viço e a minha saudade em um suspiro. Ou em vários.

Tem nada não, amor. Daqui a pouco tem mais jogo, televisão, copa do mundo, feijoada e forró repentino, aos montes. Pra nós, em todo lugar é bom.

Agora, só nos resta sorrir e piscar.

Gilda. 06.07.2014.





27 de junho de 2014

Cadê?!

Na minha vã felicidade, só caberia você, meu bem.

Toda e qualquer tentativa em outra direção é tão inútil, que só faz eu querer mais e mais o seu sorriso, a sua leveza, o seu doce e seguro amor.

Tudo é roto, sem forma, e eu me pareço com essas máscaras disformes e brandas, a cobrir enormes tristezas e a iludir alegrias de araque.

Não era isso o que eu queria, nem era assim que eu esperava contar os meus dias.

Aliás, há vidas sem você?

Senti medo. Te chamei, não te vi. Passa. Agora é isso aqui de ir seguindo, ir sendo. Uma farra aqui, um drinque ali... só os verdadeiros fragmentos serão. Saberão.

Dormir, sonhar, respirar de novo... Ah, quem me dera fosse pra mim.

Só com você, meu bem, serei eu, serei fé de novo.

Mas, então... cadê?!

Gilda.

28.06.2014.

17 de junho de 2014

Um pouco

Sabe, já tive notívagos melhores.

Sim, claro, alguém, qualquer um ou ninguém seria melhor que essa cama dura, escura e fria. Vazia.

Ou não.

Eu gosto dos lençóis, dos milhares de travesseiros, mesmo sem a sua companhia.

Sinto sua falta.

Nem sei bem o que procuro, ou se, no perdido das coisas, hei de ver algo, uma faísca de luz e vida que só vi em você.

Os mil beijos com gosto de café queimado, pão, iogurte e chá. Mas não é chocolate.

Só com você, meu bem.

Haverá dias e dias, claro.
E eu me sentarei à mesa como uma boa dama.
Deixarei os passos de hoje e as saudades de agora.

Pra quê ficar catando essas malditas conchas?

E o que há de errado nisso?

E tudo será lá atrás. Todas as palavras, minhas maiores besteiras.
As minhas cervejas e vinhos.
As piores melhores festas. Todos os nossos jovens licores.

Serei um tanto outra, mesmo sendo fragmentos de uma.

E, nesse futuro, meu bem, não caberá nada de você.

Ou caberá.

Só um pouco.

Gilda.

18.06.2014.

10 de junho de 2014

Suas auroras

Então. É isso mesmo.

Nem despedidas, nem esperanças.

Desfeitas.

Claro, eu bem queria outra coisa. Não era para termos visto intrusos entre nós.

O seu era real. O meu, pista falsa. Vingança fútil, sem quê nem pra quê.

Serve de desengano, mas fica o apego. Duro ter que deixar cair, quando o que se queria era ficar um pouco, incontáveis quedas a mais.

Morri de novo, meu bem. Perdi mais um pouco de cores e de coisas. Para que as novas bocas, se nelas não se ouvirá o seu sorriso? Não se sentirá o seu beijo?

E eu também não sei o porquê dessa saudade, e nem o porquê dos cinzas.

Ainda.

Morte e vida. No limbo, vejo tudo. Nos meus olhares, não há mais a beleza das suas auroras, do seu jeito, do seu amor. Não há mais você, meu bem.

No fundo, talvez você nem tenha existido. Eu que te inventei, só pra te sobreviver comigo, no acaso inevitável do não outra vez.

Ou, não, talvez.

Gilda.
11.06.2014.

5 de junho de 2014

Sobre segredos e conchas

E o pior é que você nunca soube, meu bem, que todas as novas linhas eram suas...

Eu jamais te disse! Tempo até houve, mas não couberam nos nossos espaços.

Não que eu não quisesse nos revelar a ti em amor e segredos, mas era tão cedo pra tanto, e agora é tão tarde para os dizeres de tudo o que quis que fôssemos juntos!

Desculpa, mas já que não posso mais te ter nos dias e noites de paixão e fé no amor, e que não haverá mais o seu sorriso e o nosso suor, não poderei te dar meus versos de saudade, pois que é tudo o que ainda tenho de ti.

Não te vejo, amor. Volto a ficar vazia.

Mas, veja, se não é um novo clarão de sonho, um dormir e recolher, um guardar e cuidar!

E, no depois, meu bem,
Ah, no depois!...

Me resta o catar das conchas.

Gilda,
06.06.2014.

4 de junho de 2014

O silêncio das brisas

E foi preciso tudo ser visto e vivido para que eu conhecesse a força das suas estrelas.

Das suas canções.

Não importa a velocidade nem os porquês, só o meu sentir.

Foi tão bom sonhar com as águas diversas do amor...

Pouco me dizem também os nãos, eles sempre estiveram aí pra isso.

Eu estou só de novo. Você fugiu. Eu fiquei.

Tudo bem, passou por um tempo, eu fui feliz, e seu chegar foi tão incrível, mesmo sem a minha espera.

E que chegada!

Eu adorei cada partezinha do seu olhar, das suas risadas, de todos os nossos loucos beijos, de tudo o que me fez querer você.

Caberá um pouco mais, quem sabe um dia, com menos loucuras, e uma balança mais igual?

Desaprendi de contar. Esqueci como esperar, aprendi a querer não te querer de novo. E a imediatamente pedir a Deus, com tanta saudade, pra você ficar.

É pena que só o nosso silêncio e a minha oração existam agora.

Mas não tem nada não, meu bem. Sempre haverá a mudança das marés.

E as muitas brisas.

Gilda,
05.06.2014.

22 de maio de 2014

Relógios


Tenho sonhado com você. Ontem, sonhei de novo.
São meias lembranças de beijos e abraços tão inteiros que me acordam com tanto gosto de você. E muita falta de ar.
Ou me tiram todo o sono, como hoje.

Não acho que isso esteja certo, e nem entendo por que te vejo tanto, mesmo não estando mais em ti, meu bem.
Seja, talvez, por ainda estar à espreita, à espera.
Mais distante agora, embora, não menos.
Que fique claro: não é que eu não queira, são apenas relógios diferentes.

De tudo, ficaram os calafrios, as gargalhadas, os cuidados e o seu sorriso.
Ai, meu Deus, o seu sorriso...
Pelas noites, mais um gole, um pouco mais de aventuras. E sexo. Muito sexo.
Banhos, ainda caibo tanto nesses chuveiros de manhãs que te dei!

Eu sei. De tão bom, não será ainda, amor.
Você só morre daqui a pouco.


Gilda, 22.05.2014.

19 de maio de 2014

Brechó

Brechó

Este blusão
que me coube tão bem no verão passado
não me cabe mais

Mangas puídas
Bolsos ampulhetas
Pedaços de você

Eu não quero guardar mais nada
Sorrisos, retratos,
Tardes ensolaradas
Insultos não proferidos

Agora coração murado
Feito filmes da Disney

E o velho relógio parado derrete
Ponteiros de amores perdidos

Maldita herança do meu avô.


Aion e Gilda, 19.05.2014




Alagoinhas

Domingo na medida
Boa pedida
Para corações enfartados e moribundos
Para vidas remendadas
Cerveja gelada, brindes a nada
Beijo usurpado
Raios urgentes
Perdemos o viaduto
Saída de emergência

Volantes para lugar algum
Tudo é sempre muito
Engana-se!
Até dói
Não há nenhum coração rendido.



Gilda e Aion, 19.05.2014

5 de maio de 2014

Suas Insônias


Não é nada, eu apenas não consegui dormir ainda.

Isso de pensar em nós, de quando em vez, me traz, inevitavelmente, meus suspiros.
Gosto de lembrar dos seus. Sorrio.

Agora é saudade. Ontem, era a falta de ar e o meu frenesi, e um pouco mais vindo do seu mais doce e novo viver em nós.

Sinto tudo, vejo as cores, ouço seus sorrisos e sinto os beijos, todos eles, um a um e aos montes. Fascinante simpatia, e tudo o que mais vem de ti, meu bem.

Como não gostar desse seu jeito?

Suas palavras não me saem, tampouco todo esse novo frisson, essa nova canção, todo esse teu cheiro de mar em mim. Eu sempre te quererei no meu amanhã.

Te dou um animal, quero bocas. Acho que estamos mais para cães e tigres. Adoro gatos, mas a sua pele e a minha química se juntam melhor às nossas conversas de manhãs.

Delicioso, mais que perfeito somar com você.

Vem, eu te deixo dormir até mais tarde.

Eu já sei fazer pirão, vou ensaiar as moquecas.

Não esquece dos caranguejos e de tudo o mais.

Então é isso!

Os peixes nos farão companhia.


Gilda, 06.05.2014.

1 de maio de 2014

Sobre canções, cervejas, amores e marés

Me dê uma música pro meu hoje, e eu te faço um poema bonito só pra te acordar.

Vou te cantar um pouco mais por aí,  porque felicidade só é bom a dois.

Saiba, eu não tenho mais como ver as noites sem os seus olhos.
Nem viver sem os dias e dias de nós e dos nossos sorrisos.

Dos mil beijos que me destes, te trago um pouco em mim.
Por causa deles, te dou tudo:

as minhas mil e uma manhãs, os meus melhores retratos,
a saliva com gosto de sexo,
meu suor e meu sono,
e o meu melhor descanso.

Mas não durma ainda, amor
Vem ver o Sol que roubei pra ti
Toma mais uma cerveja.
Vem, te ensino tudo!
Agora são tuas todas as minhas marés.

Gilda, 02.05.2014.

29 de abril de 2014

Escolha das flores

Meu coração oscila.

Minha emoção me expõe, minha razão me martiriza.
Hesito.

Eu, agora, quero coisas demais, e sigo em conflito, porque não há como desenhar, nem há de ser pra sempre, eu sei.

De tudo, preciso fazer escolhas, mas são poucas flechas para tantos dedos, tantos futuros, todo o amanhã.

Feliz!

Ganhei surpresas, mas, o que dei?

Amanheço pensando em ti.
Sorrio de quando em vez.
Eu cuidarei de todas as flores, meu bem.

Agora, é esquecer.
No teu abraço, passou.

Gilda, 29.04.14.

26 de abril de 2014

Meu sim

Eu preciso te dizer dessas coisas de nós, meu bem!

Mas é que acabei começando sem palavras. Você sempre tem que levar a minha voz e me deixar esse seu sorriso?

Eu sei, é o novo, e é tudo o que nos une, de tão bom que é.
Não falta nada.
Frenética, eu? Olha a prova!

Não há verdades, nem documentos, não preciso de clichês.
Apenas esteja exatamente aqui, pois é onde eu vou estar também.

Ando mais leve, ainda faz calor, mas é diferente. Tem cheiro de risadas, lençóis vermelhos e surpresas de todo tipo.
Tudo bem, eu fico.
Pode até chover um pouco.
Eu prefiro dormir de manhã.
Com você eu topo tudo.

Para algumas respostas, não se faz necessário perguntas.

Toma, fica com o meu sim.
Pra que saudade?
É teu todo o resto.

Gilda.
27.04.2014.

24 de abril de 2014

Sobre leis

Há um quê qualquer
E vem
de nome e sobrenome
senti
Dou vontades e espelhos
Espera.

Mas essa não é velha
essa não é vã
Agora, é toda sua
Eu que o diga!

Tem mais, muito mais de onde veio
De onde vim
Engata a primeira,
agora é só soltar a mão
Ou não?

Não era a polícia nem nada
Era uma loucura logo ali
Não me olhe,
nem susto deu
Tremi.

E foi, mas houve quem dissesse
era pra ter sido nu
Era pra ter sido
Ontem.

Ah, tudo bem, temos os sábados
Temos ainda a música

E tu, meu bem,
Por que levaste a minha lei?

Acredite.

Nem maio é ainda.

Gilda. 25.04.14.

18 de abril de 2014

Partiu linha um

Eu não tenho mais velharias pra doar Inclusive, pode levar todas
Basta de lembranças tolas

Os dizeres, os quereres já se foram
E não há também mais nenhum amor

Vê algo aqui?
Nada.

Nenhum resquício de mim para ti,
Meu bem

Essa cama nunca me pareceu tão grande, Jéo

Mas, e daí?
Eu cresci um pouco
Caibo em espaços novos de corações fundos
Mergulho

Jogue no lixo o seu amor vão, leve de volta para agora
mentiras, falsas preocupações, cuidados de araque

Foi tudo falho
Meu vazio é verdadeiro

Nesse canto eu ainda não me reconheço
Nem como hoje
Isso foi tudo no ontem
Chega de poemas feios

De biquini,
à espera do Sol
Alô?
Tum, Tum, Tum, Tum, Tum, Tum, Tum...

Eu, finalmente, aceito.

Gilda, 19.04.2014.

2 de abril de 2014

Abril

Dessa vez mais
Segui negando

começo
meio
Entremeios

E no fim,
obedeci,
depois teimei de novo.

No recomeço, reconheci
Era inútil
Era inevitável
Jamais
Sempre sim pra ti

Me aproximei
Te seduzi
Você deduziu o início
O escancaro óbvio
Foi bom nisso
E é, em muitas cositas más

Pode até parecer engraçado
Pode até ter sido um romance
Veio de um devaneio
Tempo absoluto
Um quê de absurdo
Puta loucura vã

Mas bom não é
Não foi bom pra nós, amor

Sorte de quem viu
Nada pra quem ficou
Nunca era pra ter sido
Assim

Pode haver, sabe?
Haverá ainda
Uma saudade
Um beijo
Alguma lembrança
Um bocejo
Um surto de suspiro
Minha lágrima
E o adeus

Pode, sim
Haverá de ser
abril

Mas não.

Não pra você.

Gilda.
03.04.2014.

23 de março de 2014

Quando

Consegui voando, dizendo e querendo muito.

Maluquice.

Hoje choro, até corro, mas não vejo onde chegar com essa de você aqui.

Sinto uma febre, algum calafrio de quando em vez, e era comum nos nossos tempos de saudade.

Agora, tudo é esparço, ficou meio roto, parou meio vão.

Talvez seja mais por mim, meu bem,
e eu ainda digo que de amor em amor se consegue fazer, se pode ver o invisível.

Sozinha não é pra tanto.

É outra história, é a fase do deixa seguir, do deixa ficar.
Ir pra onde, se o meu quando ainda está com você?

Eu odeio querer o futuro do pretérito, mesmo sendo o meu verbo mais bonito.

Eu quis um último tudo, um pouco de cada. Ainda não cansei.

Peço em mim, só mais um milhão de vezes
Mais uns duzentos mil beijos
Um punhado bom de afagos
Trezentos mil,
Meus milhares de sorrisos
E só mais uma centena,
aos montes,
desse seu olhar

Eu juro, dessa vez coloco menos açúcar no macarrão
Não erro mais no ponto do suco
Não implico mais com a sua folha de alface
Eu insisto,
pode virar o ventilador.

Apenas te peço um favor
Suspenda essas mil minhas lágrimas
Me deixa esse teu cheiro

Fica!

Chegou mais cedo, amor?
Hum... Vem cá.

Eu te amo.

Boa noite.

Gilda. 22.03.2014.

17 de março de 2014

Frios e sonhos


Alguém há que se sentir melhor nesses tempos chuvosos.
Ou mais feliz.

A tristeza tem dessas. Me faz sentir um nada nessa multidão de mentiras, e nessa de decepções repetidas. Não me encontro, amor! Eu estou desenganada. Mas sigo levando tudo aqui.

Ontem sonhei com você.

Quem me dera, hoje, quem sabe, poder te contar tudo. Ah... eu ia te dizer dos nossos olhares, risadas, algum abraço, aquela nossa música, um último amor, só mais um beijo, suas mãos. só mais um quê de cumplicidade no silêncio, mistério de mais e mais amores. E gosto e vontade dos mergulhos de antes.

Acordei. Perdemos o melhor do sonho.

Nas obviedades, não vejo as nossas verdades. As desculpas são as mesmas, é tudo tão antigo... nem o desamor é novo.

Engano. 

Poderemos achar culpados. Mas como, se estão todos tão certos? Todos algozes, alheios de nós mesmos?A maldade não tem sexo, é plural. E ninguém vê esses mentirosos, falsos e amigos. De quem?!
Cretinos.
Decerto, não mais que eu. 

Ah, mas deve haver um pouco de felicidade por aí.
Eu os vejo tão felizes, às vezes... bem se vê, há que se acreditar nessa corrente de otimismo, ainda que seja de máscara.
Ou de praia.

Vitória! 

Por aqui, tenho a saudade em mim ainda, saudade daquele tempo em que te ouvia sobre as manhas do meu tempo. As idas e vindas do meu corpo. As ondas mais calmas e altas de desejo. Os calores mais amáveis de mim. A nossa última lua. Mais um dia de praia. Um tempero nas nossas rotinas.
Mas isso foi ontem, amor. Você se lembra?
Mesmo assim, ainda sinto frio.

Sua vez.
Passou ou não?
Por favor, perdão.
Agora desentenda.

Gilda Valente. Desde 15.09.2013 até 17.03.2014.

13 de março de 2014

Pressa

Ontem foi de saudade.
Corri.

Toma aqui os noventa,
mas, onde estão os cem?

Preciso de procuras, eu sei.
Preciso de razões.
Não quero os pensares,
não é hora.
É a fome.
Preciso de você.

Toma todo o meu sim,
dor e alma.
Nem tento, nem resisto.
Sou eu que peço.
Mentir pra quê?

De amor em amor
me valho, me encaixo,
nos cabemos um no outro.

Vê!

Estou no agora, eu sei, e você, no ainda.
Tudo bem, abro mão da pressa, desisti.
Te espero, amor.

Vem, deita comigo... me junta!
Tem um tantão de mim aqui.

Meus sorrisos.

E ninguém precisa nos dizer do amanhã,
meu hoje.

Gilda. 14.03.2014. 2h.

10 de março de 2014

Versos inquietos


Estou perdida, amor, em meio às nossas confusões premeditadas.

Do lado de lá, nada sei.
Cá, me vejo, atônita,
dormente, meeira,
sem sim, sem não.

E o que tenho, então?

Angústias douridas, faltar de tudo, saudades oscilantes.
Nada de ar.

Será de raiva, será de amor, ou um pouco de muita dúvida?

Eu não sei mais o que é pra mim, nem o que um dia foi.
Eu juro, olhando de trás, não era aqui que eu queria estar.
Nem era sem você.

Então, por quê?

Pedi um sinal, chamei por Deus, orei a um Norte, qualquer um,
e nada.

Só esse poema, versos fracos, fraquinhos, que mal cabem nas minhas vírgulas.

Preciso de pontos.

Medrosas interrogações,
rumores de exclamações,
um arrogante ponto e vírgula,
um exigente ponto final?

Reticências...

Afinal, o que restou do amor, além do que agora ainda lateja?

É muito.

Busco o tempo.
Nada exato.
Tudo incerto.

De mim, deixo-te
meu grande mar,
Essa insônia,
e minhas incertezas.

Gilda, 10.03.2014

7 de março de 2014

Das loucuras e dos lutos



Estou com sede de verdades. Fome, fome mesmo, eu só tenho das verdades inteiras, dessas de tontear quando é ruim, de cansar as bochechas e tirar o sono, quando boas. Preciso mais das boas, mas, por ora, as ruins também têm sido bem vindas. Mas não me venha, por favor, com verdades pequenas, verdadezinhas, essas pseudoverdades meia-boca. Eu não sou amiga do acaso, do convencional e do meeiro. A intensidade é meio como eu, dói tudo, ama sempre, grita aos cantos mais longínquos o seu sentir. E não me importa se faço birras de criança, se me afogo, ébria, às vezes. É daí que saem as melhores lições, porque é preciso ter alma, muita alma pra aguentar as consequências de se ser livre. E preta. E antissociedade óbvia, hipócrita e suja. É isso mesmo. Não há como ser dada a convenções.
Eu tentei, sabe? Mas essa merda não era pra mim, não era pra ser. Então, liga-se o foda-se bonito, pulam-se as ondinhas da minha maré seca, com direito a afogamento e mudez do celular e tudo. Não fui eu que escolhi, mas, já que é assim, sigamos. Não se sabe muito bem como, nem pra onde, mas é sabido o porquê. Não me venha com essa de foi melhor assim, porque minhas trezentas fases de luto não entendem isso muito bem. Estou vivendo todas, ao mesmo tempo, da pior forma possível: sofrendo. Irracionalizando. Excluindo. Eu quero minhas verdades, não importa! Ainda assim, me dê, me venda, barganhe comigo todas, mas as quero de todo e qualquer jeito. Serão elas, nuas, lisas, rascantes e diretas, a me esbofetear, a me consolar. Conversinhas meio-pau não me interessam. Sai fora! É hora de fragmentar tudo, expurgar, ser espelho e campo de força transparente, pra que se possa se cuidar também na dor, na lágrima, no vazio. A vida não tá nada fácil pra ninguém, e eu nem tenho mais alma pra dar, porque boa parte dela se foi no primeiro luto da minha vida, mais um pouco tem ido com os onze, e o restinho que sobrou dei pro penseiro.
Pronto, Zelina, não me venha me pedir alma, tesão, falta de ar, porque estão em falta, e as que estão disponíveis no mercado não me servem. Também não estou recebendo almas de ninguém. Foram todas pseudofalsas. Guarda, então, suas mentiras só pra ti mesmo, dá pra quem quiser essa porcaria, e eu apenas sigo cuspindo no prato que comi. Lamento mesmo, não era pra ter sido. Quem morre é quem perde a vida, e sua avó, Zé, está muito mais do que certa. E com a sobrevida, se perde o quê, se ganha quanto? Preferindo não dar nem receber nada por uns tempos. Estamos em horas de reclusão, reflexão e pensamentos. Meus sentimentos a mim mesma, diria, se pudesse. Mas não posso, é mais que preciso voar. É imperioso e necessário ter asas, asa delta, biquíni de lacinho, praia, sol e luta de todo dia. Vive-se num mundo capitalista, de carros alheios quebrados e despesas na poha do meu bolso. É um mundo onde não há espaço pra meu mau humor, pra minha cara fechada e pros meus erros.
Ninguém erra, tá todo mundo acertando sempre, e eu sou a escolhida pra alvos de pedras pseudossantas, nem deveria usar essa porcaria de palavras três vezes, ah, não quero saber de beleza por aqui, estou muito puta e digo o que quero. Ah, me deixe, viu? De saco cheio, precisando dar uma brincada com as coisas pra ver se tudo fica mais leve, chegando de leve, mas está tudo muito pesado, não estou conseguindo desligar, tirar o peso. Mas vai sair, não se morre, só se vai um pouco, talvez muito, talvez quase tudo. Mas ainda estou aqui, sambando desvairada em cima da minha sujeira que estava guardada embaixo do meu tapete. Vou queimar esse tapete inútil! Comprei pra me enganar, pra não me deixar ver, não adiantou nada, veio tudo muito mais sujo ainda. Acho bonito... Ficar marcando passo e mostrar que estou correndo, que já foi, que já fui. Ainda sou, está tudo aqui, agora com o pouco mais de peso e fios brancos escondidos nas tintas capilares. Mas tenho dignidade de verdades. As dei, todas, a ti, como nunca antes, e agora sobra essa angústia filha da puta. Tira essa mão daqui, retira sua sombra, e que eu vá a algum lugar. Depois penso pra onde. Agora, nada. Fico aqui, só aqui, vivendo essas fases, todas juntas: negação e isolamento, raiva, barganha, depressão, aceitação, negação de novo, mais um pouco de depressão, pouco isolamento, raiva pra caralho, dúvida, umas pitadas de saudade, um quê de tristeza e bastante, bastante isolamento de novo. Aprendi com Baudelaire que “solidão é estar só no meio da multidão atarefada”, e é dessa verdade que vivo.
Em meio ao mundo, vou me levando, solitaríssima, de superlativo. Loucuras. Essa, a maior Verdade, é o que me resta. E é o que eu quero. Ponto.

Fragmento de pergunta Ou Sobre a quarta-feira de cinzas

Engraçado...

Eu achava que tudo seria diferente, que haveria uma felicidade frenética, após quaisquer dias de muitos carnavais. Tudo deveria ter sido esquecido.

E nada foi pouco!

Foi tanta busca de esperança, de cantigas e cores, e eu vi tantos azuis, tantos quereres...

De todas as brincadeiras, eu me vi em meio a picos de emoções, de sabores e de tantas vontades. Foi tudo lindo! Se viu um frenesi alegre, biquínis prateados, furta-cores, meios peitos de fora, um fio-dental para cada tipo de shorts e pernas. Gentes pelo chão, e, todos dormem, menos eu! Tatuagens à mostra, um quê de otimismo sem fim. Muitos brindes, cervejas para todas as cores e preços, boa música, algum samba, MPB nos táxis e sobras de diversão. E beijos, de todos os tipos, gentes e tamanhos, para todos os gostos e tradições.

Em meio a esses hits novos, sentimentos explícitos, tradições comemorativas e colares de ruas entupidas de branco, das mortes atirando a metralhadoras de brinquedo, a olho nu, não se vê o do lado de dentro, as dores e amores de cada um.

E pra quê mostrar, pra que fingir que a dor é alegre?

Sim, foram passados muitos recibos. E, sim, se pagou um quinhão, mas, então, por que ainda há tanto sabão nesses olhos? Tanta saudade n’alma, todo esse maldito desamor?

Mesmo com toda euforia, com toda lama, risadas e sentires, em cada um havia uma rouquidão, um grito contido. Uma lágrima. Alguma saudade vã.

A minha voz sumiu. Eu não podia, não posso, amor, te dizer de nada disso.
Escondo tudo. E eu estou surda, pois que não consigo ouvir o tanto que queria que viesse de você. De que valeria?

Sabe, Vinícius é que está certo. Haja tristeza para tanto samba! E é da saudade e do amor de onde saem as melhores almas, os mais lindos poemas, as mais eficazes e perenes cicatrizes.

So, let’s live! It’s alright, isn’t it?

Que venham os próximos lepo lepos, quicadas nos calcanhares, esquemas vídeo game, muito você, o amor e eu, muitos cinquenta centavos de sol, de voz, de siris, feijões e marés.

Que todos desatinem de novo, que seja tudo fake, que se acabem as fantasias, que as rotinas dos dias voltem. Mas que os amores e os sambas nunca faltem.

E para os desamores, que não me faltem os Chicos, os Vinícius, as orações, as cervejas, os fragmentos.

Tudo igual. Sem game over.


Gilda, 07.03.2014.

13 de fevereiro de 2014

CHANCE

Ainda estou por aqui.
E te dou tudo.

Minha insônia velha, e todas as minhas madrugadas.
Minha janela escura, meio penumbra de noite, crepúsculo da nova manhã.

Compromissos? Serão todos seus.
Nada tenho a fazer.
Apenas cafuné, beijo de olho, ver sorrisos, suas brincadeiras, nossos poemas.

Te tenho todo em mim, e não precisarei mais de saudades.
Todos os meus cuidados.

Estou nua, amor, tire o meu lençol.

Seja a minha lei, tome o meu olhar, proteja esse restinho, salve esse cordão, esse anel, nosso amor.

Te dou, sim, minha maior renúncia.
O meu total prazer.
Todos os meus sonhos.
Tudo. É absoluto, é todo seu.

Apenas desaprenda, e sigamos nesse chão: tantas luas, sóis, nuvens e marés de antes.

Uma praia nova.
Um presente novo.
Todos os amores.

Queira!

Agora acorde.
Venha tomar café comigo.

Gilda. 13.02.14 (5:30 a.m.).

11 de fevereiro de 2014

AMORES PUÍDOS


De amor em amor
se perde uma saudade,
um sorriso,
em uma noite qualquer.

Sabe lá onde deixei todo furor,
toda luxúria, 
todo deslumbre de nós dois?

Quem há de saber...
Será que bastará procurar
em dias de faxina?

Se limam as queixas,
se destilam as deixas,
se extirpam as mágoas

Besteira!
O Ontem não pode mais ser,
do Hoje, não há o ressuscitar

Então, o que será do Depois?

Teimosia de mudar de cor
de cinza, de dor,
em um amor que continua sendo velho e retrato.


Gilda e Aion. 11.02.2014.

7 de fevereiro de 2014

O pântano

Foi num sonho, e tudo estava como antes.

Eu sei do que temo, sei do que penso
Difícil é seguir negando esse desejo incontido, atrevido

O estar é mal, é um limbo, é um nicho
Não há vento, nem noite, nem lua, nem chuva
Nem nada
Mas há as incertezas

Tudo boia, nada de vida por aqui
Insignificante a procura de você

Eu poderia até dizer aos quantos já dancei, já até desesperei
Mas não
O infinito é contável
E a minha saudade tem tamanho
São exatos milésimos de amor de longe de mim e de ti

Mas deixa
Um dia aprendo a respirar de novo.

26 de janeiro de 2014

COMA

Você já viu? Já olhou bem de perto?

Sim, parece que ainda é lindo, e deve estar tudo bem. Mas daqui, de onde vejo, não se pode ter tanta certeza.

Há água de berinjela com limão, iogurte, goiabada, creme de leite, biscoito, cerveja, Montilla e até doce de figo na geladeira. Não se aproveita muito no verão, porque faz muito calor, e tudo o que se quer é estar na brisa, sentir o mar. Respirar. Água bem gelada sempre serve muito, sempre serve mais. Mas quem disse que a sede passa? E quem disse que a fome vem?

Eu não sei o que você pensa que está fazendo, mas não está funcionando. Não pra mim.

Deveríamos conversar. A sós. E não estamos falando de mim e do meu vazio.

E agora? Será que te odeio? Sim, porque, amor, isso não é. Cansada de dizer isso antes.

Mas sempre há o mar, e as cores, e a noite, com suas luas, todas minhas e tudo tão meu. Mas... onde está a minha poesia? Sem amor, sem você, eu não sei nada do que fazer com tudo isso.

Eu ouvi uma música, não é nossa, nem sei se conhece, mas faz um bom sentido. Eu fico ouvindo na minha mente, enquanto durmo, e quando acordo; e vejo, rindo, porque cada letra, cada verso, nos cabe tanto... “Não se ama, amor, em vão”... e me vem uma saudade, uma coisa nova, de toda a velharia que nos une ao nada que somos.

E é isso, como me reconhecer sem você nisso tudo? Que maluquice, nem é mais insistência, já é burrice demais até. Mas é essa coisa estúpida, que nem dói, nem é bom, que não vai e nem passa, e não deixa o novo chegar.

Foi um ano muito bom, trânsito em estradas pedagiadas, sem blitz e com licenças. E também de bolsa, casa nova, tudo arrumadinho, compras de mês, contas a pagar e TV de madrugada a cabo.  É maravilhoso, diferente, mas ainda não é isso, porque é sempre um caminhar vazio, eu estou sempre faltando.

E é por isso que eu nem escrevo mais por esses tempos. Estou farta desse rebobinamento, desse caralho de disco riscado, desse cinza constante e cruel. Eu queria um transplante, uma transfusão, um novo mar, mais um amar. Uma espécie de salvação abrupta e desleal, uma parada cardíaca, uma reanimação. Uma alma emprestada, dada, traficada, porque a minha, já foi, já deu.

Meu deus, eu preciso de uma respiração boca-a-boca!

Gilda. 27.01.2014.