27 de setembro de 2011

Cadê você, Zé?!

Vim pensando o dia todo num fragmento. Um daqueles bem bonitos, de enciumar amigos antigos, tipo piropos que choram em shows de Guilherme Arantes. Amigas saudosas, agora de família, que talvez não entendam de onde vem tanta afinidade.

Há pouco tempo!

Quiçá um amigo novo, amiga nova, embora já conhecidos. Ela é de escritos bons, mas não alcança o que, de fato, vejo em ti.

Minha visão... se lembra daquela blusa sem graça, daquela moça sem brincos, óculos de grau? Como pode ser tão bonita e querer se esconder desse jeito? Por que eras assim? (Eras?!) nos demos de cara. Cadê o tempo? Relative-se!

E, dali a pouco, batidas naquele apartamento. Flagrantes, pois vou contigo aonde fores. Ainda que seja um caminho ruim. Sabemos disso.

E, um pouco antes: Adri a se preocupar com livros e presentes. Quem é essa que te rouba a atenção, que fala mais de Chico do que eu? E quando a gente se encontra, ninguém gosta mais dele do que nós. Com você eu divido. Um pouco só, que fique claro...

Me dei conta de que não tenho muitas palavras, embora seja dada a fragmentos.

Sabe por quê?

Ah, minha amiga!... entre nós há muito mais do que rimas, versos e poesia. Muito mais que banheiros de lágrimas e risos, de beijos e cabelos, às vezes, inéditos. Só pra você. Eu sou dessas...

Muito além que cumplicidade musical, coração sentimental, depressão pós-amor, que sujeiras mal ditas desses caras que jamais nos entenderão.

Filmes nossos! Muita calma nessa hora! Ai, que eu mato aquela Surfistinha...

“Que psicóloga é essa, bicho?”

“Faltou a terapia? De novo?!”

“Por que você está esperando? Não espere não!...”

E eu segui. Só porque era você, só porque sempre saberemos uma da outra, e sempre nos veremos, a outra numa. Preocupação, andanças, planos de aqui. Fragmentos!

Segurança. Amor.

De todas as nossas lembranças e saudades, de nossos aniversários, the event e afins, não há como não me dar conta: eu não sei mais ser sem você. Não sei mais nos ver sem a nossa amizade de cores e formas, de segredos e escancaros, de poesia e música, de cumplicidade e fragmentos.

De despedidas e encontros. Cheios de perdas e danos.

Retrato em branco e preto. Dueto.

Zé beautiful! Zé pernão! Zé linda! Zé!... Zelina.

Just my friend. That’s it.

By the way… Where are you?

Thais.
27.09.2011

13 de julho de 2011

Ah, ainda posso ver a lua à noite?

Sim, porque se for inverno, há que se esperar um pouco. Não se vê noites tão frias por aqui, essa quentura tira toda a sua beleza.

Bem podia ser lua cheia daqui a um tempo, quando daquela viagem bem paga.

Nesse dia, eu poderia ler meus versos felizes pra você.

Mas não. Será nova. E não cabem boas lembranças em mortes de lua.

Apenas reflitamos nossas luzes no mar.

Haverá um? Haverá nós?

Sim, enquanto em mim restar um sono, um suspiro, o desejo e a lembrança esperançosa de tempo bom.

Essa aí sou eu, devaneios de outrora.

Quiçá houvesse tempo para coisas sem fim, mas o hoje é de felicidade.

Combina com a lua de ontem, crescente, quase maré cheia, pra depois maré de escuro.
Eu não escureço nem encendeio, apenas olho.

Saudade é coisa de tempestade. Calmaria e ternura é a minha casa agora...


14.07.2011.

19 de fevereiro de 2011

VONTADE

Estava a pensar, a lembrar daquela mensagem de hoje à tarde. Alguma coisa na televisão sobre Siribinha, você me avisa. Pra quê? Já faz tempo que não nos vemos. Pra você, um mês. Pra mim, centenas, infinitas noites, intermináveis dias à espera de presenças suas.

Enquanto tento entender os porquês que não têm resposta, e ainda decidindo qual o meu estado de espírito pós-sms, você me liga.

– Oi! E aí?

– E aí?! Como assim, “e aí”?! Olhe, seu filho da puta,... vá tomar no cu e não me ligue nunca mais. Eu te odeio tanto por ter sumido esse tempo todo, por quase me enlouquecer de saudade e sem notícias... Como é que você me vem cumprimentar como se nada tivesse acontecido?! Como se fôssemos “coleguinhas”? Acaso ficou maluco? Eu não quero a sua amizade, eu não quero a sua compaixão, eu não quero o seu telefonema espaçado! Vá pra casa do caralho, que é o seu lugar...

– Ah, você tá pensando o quê?! Eu aqui, entre os seus, fotos e cheiros espalhados por todo canto, esse povo a olhar e a perguntar sem nada dizer, esse seu fantasma a me acompanhar, um mundo a me torturar, e você, simplesmente, depois de todo esse tempo, me “liga”? Não, meu caro, eu não posso com isso. Cadê a nossa conversa? Onde estão os nossos erros e acertos? Onde você está que não vê as minhas grossas lágrimas caírem todos os dias de manhã, antes de dormir? E ao acordar?

– Porque não respondeu as milhares, centenas de mensagens, queixas, despedidas, decisões que te escrevi toda noite, sem te enviar, inúteis que são? Não. Você não tem esse direito.

– Exerça, sim, o direito de estar aqui, comigo. Eu preciso de você, não aguento, não consigo!... me salve! Não suma assim... eu não sei ser sem você...

Era o que eu queria ter dito. Mas nada disso saiu da minha boca. Fiquei, respiração suspensa, fingindo uma frieza natural, que de tão artífice gritava o meu amor, a minha mágoa e a minha saudade por todos os lados. Talvez eu tenha me saído bem, embora tenha enfatizado umas duas, três vezes, irônica e cinicamente, o grande “milagre” da sua ligação. Sou uma covarde. E você, um grande cretino.

A nossa conversa não existiu. Não dissemos o que queríamos, não ouvi o que queria, não tive você aqui. Trivialidades e notícias do cotidiano não me interessam; a ti, tampouco, a minha vida lhe traz alguma informação relevante. Mas, ficamos assim, por alguns minutos, a aprofundar o vazio, a aumentar a distância, a afastar inutilmente o amor latente e a saudade reclamante. Os assuntos nem têm mais validade. Se esse telefonema acontecesse na semana passada, saberíamos coisas em comum, estaríamos mais perto, poderíamos nos ver. Se fosse há duas semanas, quem sabe não combinaríamos um tempo juntos em lugar nenhum? Se fosse ontem, talvez planejássemos o novo carnaval com gosto de lua de mel numa praia deserta, qualquer uma, nada importa. Ou numa cidadezinha antiga, com a família. Gosto nosso...

– Oi! Você tá me ouvindo?

– Sim, claro...

– E esse silêncio? Parece que não tem ninguém...

– Mas eu estou aqui. Continue.

E você continuou. A vomitar novidades, a alfinetar ciúmes leves de uma viagem que não sei se vou. Eu mal consigo me olhar, quiçá sair de mim... parece até engraçado te ver testar a minha audição. Eu ouço bem a sua falta, gritante, nos meus planos. Os outros sentidos vão indo também. Enxergo ainda você seguindo o seu caminho, a sua vida, longe dos meus afagos. Nas minhas mãos, sinto contumaz as milhas e milhas da sua pele em outras paragens. Respiro fundo, e minha lembrança olfativa me mostra que o seu perfume já não divide os nossos ares. E na minha língua, não há o deslizar da sua boca, seus pelos, seus olhos, seu eu em mim. Está tudo funcionando, piloto automático, funções vitais. Mas, cadê a alma, se não durmo?

– Só liguei pra dizer “oi”.

– “Oi”, pra você também. Fica com Deus.

– Beijo.

Desligo o telefone, e nem sei como conseguimos conversar tanto de nada. Olho em volta, e não me vejo. Respiro fundo. Nasce a palavra, que nada entende. Mas registra o agitar desta mente e desse coração nus.

Hoje tinha ainda tanto a dizer, nada a declarar, que eu nem me esforcei pra te colocar a par das boas novas. Só tenho notícias passadas. A velha novidade é a minha grande rotina.

A mágoa, renovada a cada ausência sua, é a minha companheira. E o amor, morto-vivo, nasce e morre, noite e dia, dia-noite, entre os afazeres urgentes e a saudade teimosa, descarada, miserável. Essazinha aí vive a rir e a chorar da minha insistência, da minha relutante teimosia em não te deixar passar.

Eu, meu caro, não passo sem você.

17 de fevereiro de 2011

NOSSOS

Da moradia da saudade

Meu passado
repousava sagrado
Mas eu o encontrei

Surgiram lembranças decoradas
do dia que nos vimos pela primeira vez

Mas me descobri
homem sem face
sem corpo
sem gosto

E o passado sangrou
E me pôs face a face com meus erros
Meus acertos
Minhas mágoas
E minhas felicidades vãs

Quem há de dizer que não fui boa?
Quem poderá pensar que não foi bom?
Ainda que não tenha havido orgasmos múltiplos
Algum prazer há de ter sido
Valido
Válido

Era pra ser um mero fragmento
não correspondido

Nunca quis esquecer
aquela rua, aquela casa
aquele amor

Tudo é uma questão de templo
embora algumas lembranças nunca sumam

(...)

Daria pra fazer um mosaico
Desses bem coloridos,
Da nossa história?
Um dia desses vi um filme
Tive um sonho
Não via o seu rosto, nem as suas cores
Mas era você
A me beijar
E a me dizer mentiras sutis
Poderei eu te ver pelos vidrilhos embaciados?


Amantes como nós
São mais comuns
Do que teclados quebrados
Jogados no lixo.
Mais comuns do que marketing de nicho,
E, mais ainda, do que sensações de vazio.

Por isso sonhei assim:
Nós, no arrepio de um cachimbo de água pura,
Morrendo de rir diante da vida dura,
Apreciando velhos poetas,
Lá de cima de uma fresta
Incrustada numa
Montanha de sonhos estranhos.

Sonhei com minha poesia virada prosa,
E contigo sorrindo em covas largas,
Como se finalmente entendesse -de fato- tudo...
Me vi clarividente, surdo e mudo,
Assim gritei bem alto
O quanto pudesse eu mesmo ouvir.
Sim moça, tenho que admitir:
És linda como possa ser
O mosaico
Que nos resume.

(...)

Do AMOR E SEUS REAIS SIGNIFICADOS

Sabe, Thais,
Se é de amor que falo,
E do teu amor que não consigo entender!
E te juro,
Ninguém consegue

Pois bem sei que o que você persegue
É uma certa sensação
De amor vindo pela contra-mão,
Um amor tão excitante,
Que faz com que se levante
Dúvidas sobre
Se há sanidade, ou não.

Bendigo que sou louca
Insana, perdida
Não há como negar.
Mas, acaso não foste tu
Que creditasse toda a minha ânsia
Volúpia e incensatez?
De ti, lembro-me bem,
Vieram as palavras de amor,
Cálices sagrados, noites infindas
Lembro-me bem dos beijos sóbrios
E das verdades lúcidas
Pra não dizer das fumaças e dos dedais.
Vi ou não?
Ou então...
Não há, não hei, de entender nunca.
Não vês? Estavas tão louco quanto eu.


Quer melhor palavra para combinar com dor?...

Amor de verdade dói,
Machuca de tão gostoso que é.
Que seja um homem amando uma mulher,
Amor de pai e filho,
Amor viajante, andarilho...
Se é de amor que se quer falar,
É de amor que nunca vamos entender.

(...)

Nosso amor é louco
Sem medo
Sem pressa

Nosso amor
é incêndio
da alma e do corpo

É sonho e pecado
É vício e veneno
Castigo... destino

Nossa loucura é amor
corajosa
preguiçosa
Incerta
E, de realidade a ilusão,
De champagne a chumbinho
Nossa loucura
nos pune
E nos desune.

SÓ MEUS

Olá! Parece que perdi as horas. Perdi o tempo. É você mesmo?! Ou algum dos seus falaciosos heterônimos? Desculpe, há mágoa, sim, e muita dúvida. Jamais poderei me reportar a ti sem pesar, sem pensar nas agruras e saudades de outrora. Eu é que te peço, porém: não me leve a mal, meus escritos já não são tão doces. Agora uso adoçante pra tudo, e chocolates e caramelos não me envaidecem mais.
Não nos vemos mais, é fato, e estamos diferentes. Quando se perdem horas, se vão com elas boas lembranças. Mas não me lamento, nem sinto pena. Talvez um dia acredite na sua sinceridade. A nova ou a velha? Verdade ou mentira? Amor... Ainda há amor em nós? Onde está, que não o vejo?
Desejo...

(...)

Meu bem
Quisera eu poder transpor o limiar
Das palavras
E ver, além de certezas, dúvidas
Amor, poderia ver
Viver horas, vidas
Em falas,
Dizerem sem fim
Tudo-nada, mundos de vazios
Metáforas
metonímias de um sentimento meramente
poético
Alimento de ego.
Coração,
Poderia eu, uma vez mais te chamar assim?
Ah, aqui, sim
Até a última linha
Pois, no final do verso
No seu dia,
Não haverá mais espaço para mim.

6 de janeiro de 2011

Por ora...

Dizem que esse é o meu melhor texto... Talvez. Embora ficcional, a vontade de que seja verdadeiro perdura. Ah, pudera eu amar e ser amada assim!
Serei, então, nos meus sonhos, na minha poesia livre e na minha saudade.
No mês de aniversário, por que não libertar o amor e a poesia e acreditar unm pouco mais?!



Desde a nossa última fuga, tenho vivido a sonhar cores e formas que venham de nós. Me vejo a solfejar suspiros e a ensaiar fragmentos, pois cá estou, deslumbrada com aquilo que, diríamos, não poderia ter acontecido. Meu Amor, quisera o universo que nos uníssemos nessa incontestável aventura, cheia de quintais, paredes geladas, quartos seguidos de escadas, libidos, violões, tremores e ais. E esse mesmo universo que presentemente nos desune, me faz a mais realizada e plena das humildes, porque só a quente lembrança do tenro e furtivo inverno já me garante o mais profundo e perfeito calor.

Emoção, eis que agora, logo agora, só me reconheço em ti. Me conheço cada vez menos. Logo eu, que não queria mais ver fé em amores vãos. Ah, quão ingênua pode ser uma triste e solitária balzaquiana, meu querido! Saibas, sei que não mais serei tão só, porque em ti ficou algo meu, e em mim ficou algo seu. Que me importam seus amores de então, se te vejo ainda em minha alegórica, onírica e carnavalesca paixão, que é tão real e sonhada para mim? Tenho, Amor, a plena certeza dos nossos sonhos, das nossas saudades, das nossas mãos e pés, tão perdidos, tão unidos nessa confusão de sentimento e dor. Não há como negar você em mim, pois que fecho os olhos e te sinto nas minhas longas melenas, nas minhas escuras retinas, nas minhas afáveis entranhas.

Como poderia não me ver nesses olhos de maré e rio, calafrio, ferrugem nos meus, nos seus olhos, na minha boca, vermelho dos nossos cheiros, cinza e céu nos nossos dias?

Quero viver pra te encontrar de novo, Amor! Hoje, sei que fujo, mais uma vez, de ti.

É preciso! Os deuses me privam do direito de te levar de outras flores. Você é flor, cravo proibido, e nem todo o dinheiro da Malásia e China, nem todo ouro da Indonésia, nem a posse das mais ricas esculturas de sal me permitiriam comprar-te. Ganhar-te. Roubar-te.

É pena. Tu não estás à venda.

E és tão lindo, tão perfumado, tão vaidoso e tão meu, que desdenho a distância, desacato a fidelidade, desoriento amores. Enciúmo amizades. E espero, paciente, a liberdade. Há de vir, e há de trazer consigo estrelas e marés, chuva e sol, areia e mar, em redes e barco de pesca e pescador. Sou paciência, Amor. Nossas noites chegarão, e eu não mais serei só. Não serei mais sem ti. Serei sua, alma e coração, entrega e beijos, delírios e música. Lancemos mão à calmaria e fujamos, sim, por ora.

Agora, apenas pense em mim. Sonho em ti, qual criança em lágrimas, implicante, a pedir colo. Essa eis que cresce, um dia, e aprende a obedecer as razões da vida.

Quem diria... Por ti, Amor, obedeço. E rezo. E um dia acordarei, enfim, e te avistarei, não mais em saudade. Mãos em mim de novo.

Amor!... O Tempo, tão Certo, nos dará um ao outro.

E o Sempre, quiçá, nos fará companhia.

Por ora, estou vazia. Salobra. Nem doce, nem salgada.

Misturada.