26 de novembro de 2010

E se hoje fosse outro dia?

A casa varreria
Dos amigos eu seria
Do sofrer me escondia
E assim eu serei...

Como a noite sem fim
Mergulhada ao silêncio das ruas
Em notas cruas, vazias
e acordes ruins

Se hoje fosse outro dia
Rimas novas escreveria
Em versos e letras em que pudesse me ver
Num novo e profuso voo
De liberdade e porta aberta
Sem amarras de um amor
mal-lavado,
mal-cheiroso,
mal-acabado.
Aliás, cadê meu espelho, onde nova me ver poderia?
Ah, se hoje fosse outro dia, eu sim, poderia
Renovada e refeita,
Me ver e rever.

No dia de outro tempo,
Desmonte do pensamento,
Surpesa em vermelho falhante
De mulher mutante...

Se fosse mesmo um outro dia...
Eu reinventaria todo o meu ser
Todo o meu eu
Eu seria além de mim
Um outro alguém
que não você.



"Fechou abertamente".

Bibo, Zelina, Thais, Vinícius, Josy.

26.11.2010.

Em Bin.

21 de novembro de 2010

Das declarações e Constatações

Abre amor os teus braços,
Deixa-me partir,
Que eu quero fugir,
...Dos beijos teus,
A noite é linda,
E sorris para mim,
Mas mesmo assim,
Direi, adeus,
Não, não me queiras prender,
Meu doce amor,
Do teu calor,
Devo fugir,
A madrugada,
Vai em breve findar,
E eu não posso ficar,
Abre os teus braços,
Deixa-me partir.

Nelson Gonçalves

Ganhei essa música, na madrugada de segunda, que ainda nem ouvi, mas dela me saiu um fragmento de amor, só de amor. O que sobra, de tristezas, são excessos, rompantes desnecessários, rotina dos meus dias sem você.

E eu que estava, madura e sublimemente, a consolar-tes, meninas...
Olha só quem é que está "triste e chorosa" agora... tsc, tsc...


Ao menos estou feliz, pois que tenho, dele o amor, ainda que não o tenha. Dele, essa música, ainda que triste. De mim, a palavra, calma do meu ser. E esse, tão ímpar, fragmento de madrugada.

E eu, ainda, tão repetida e inutilmente, apaixonada por você.


Das declarações e Constatações


Ah, meu doce amor, como podes, ao longo do tempo, emocionar-me, em tantos altos e baixos, ora em felizes, ora em cruéis palavras? Mata-me, amor, a cada amor que vem de ti, e a cada ódio desvelado, deslavado e desumano que confundes, em vão, em mim. Acaso esquecestes que é de Deus a dávida do perdão? Então? Por que não fugir uma vez mais, encontrando-nos, o outro no um, como outrora?

Ah, eu que fui a sua flor, o seu castiçal, o seu mais puro deleite daquelas noites vãs... Hoje sou um lembrar doído, um fantasma, uma sombra de saudade, um pranto tristonho do que um dia, em ti, fui tão feliz.

E de amor em amor me vou, e de ódio e perda fico-me, a soluçar a nossa saudade, a sentir o teu abraço, olhos fechados, o velho cheiro de pele e mar, tão peculiares de ti. E a desejar-te baixinho e fundo, tanto que quase enlouqueço. Desoriento-me. Hei de renegar-me, embora não aqui.

Imploraria, se pudesse, bem sabes que sou dessas. Se soubesse, ao menos, que ouvirias o meu lamento, setenta vezes sete o repetiria, das mais possíveis formas e jeitos. Com tréguas de beijos e cabelos de cortinas, entre tantas e tantas criativas loucuras. Só pra te cantar uma vez mais, em vozes de Roberto e Bethânia, Nara e Chico, e muitos, muitos outros. Só pra, de vez quando, nos ver sorrir de novo. Acreditar nesse possível é abrandar a dor. E te pedir, daquele jeito, pra ficar, e nunca mais se ir de mim, é apenas um sonho vil.

Porque foste tu, meu bem,

O desalento da minha longa madrugada,
Desassossego dos meus infinitos dias,
Tristeza da minha alma,
Saudade de todo sempre,
Amor da minha vida.

E eu não sei, perdão, o que fazer com isso...

13 de novembro de 2010

Desencanto

Poema inspirado numa amiga chorosa e triste.
Um dia passa!
O poema, no entanto, fica.


Ai, que choro.
Dói.
Sinto saudade.
E ele nem era o amor da minha vida.
Foi tudo passional
Consensual
um contra-senso.
Que me importavam suas ex-de-agora,
seus amores vãos?
Que me dizem os violões arranhados,
e os discos marcados
de declarações vis?
Ei me dei
e me fudi.
Agora,
aqui me vejo,
assim,
a conter essa lágrima
Essa súplica
Esse pedaço de ti em mim.
Nem sei por quê.

Que pena.
E ele nem era o meu grande amor.

Que merda.

11 de novembro de 2010

Sobre Deus e o Tempo dos amores

A ti, Amor, entrego-te ao tempo
e o Tempo é Deus.

Ele me quer bem, eu sei
Me vê: nos Seus olhos, há súplica
e um pedido de atenção no amarrar dos cadarços
eu não vejo.
Não consigo.
No fundo, não quero.

Só sei fazer e teimar à minha maneira
O meu laço é frouxo, eu caio
Ele chora: já sabia da minha queda,
que não te deixaria,
não consigo Te esquecer, Amor

Meu Pai me olha mais uma vez, tão triste,
E me vê tão pequenina, tão frágil
e não me acha estúpida, apenas teimosa.
Me pega no colo, me beija a face e diz baixinho:

“- Vai, filha, errar mais uma vez. Eu estou aqui, viu?
E eu te amo. Mas vai, erra. Cai. E aprende.
Quando voltar, Te ensino o laço novo”.


Eu, criança, não Lhe dou ouvidos.
Só ouço o Agora,
a minha Dor, a minha Saudade,
maiores do mundo.
Egoísta que sou, esperneio,
choro, peço ajuda, faço birra,
fico de mal.

Meu Pai, infeliz, não se aborrece.
Ele nada pode fazer,
a não ser rezar
e esperar o Seu Tempo,
O Tempo de Deus,
Agir em mim,

Agir em nós.

Thais.

11.11.2010
(conversando com Nice)

9 de novembro de 2010

Vida e morte

A gente faz poesia como quem vive
Por vida, pelo belo, pelo amor, pelo sublime.

Tudo, o tempo todo,
a todo o tempo.
Dorme, come, respira, transa,
Briga, bebe
e sonha poesia.

Às vezes, de fato,
de nada se tem vontade.

E só
ela,
nossa,
toda,
bela,

Nos completa, nos invade, nos alimenta.
Com suas metáforas, metonímias,
cataclismas linguísticos.

Vamos nos enchendo
e enchendo a tudo
de poesia...

E, se ímpetos de partida nos acomete,
A gente faz poesia como quem morre.

Poesia para o sexo

Este poema é uma das primeiras produções do Penseiros do Quiprocó.
Saudades dos penseiros!!!


Transando comigo, contigo,
Com você,
Com ele,
Só com ela.

Queremos acabar todos nus no Pirâmide!
Queremos noites de sexo
De auto-carícias
Palavrões
Palavrinhas
Coisinhas ditas
E não ditas

O silêncio falante
Do desejo louco
E voraz.

Talvez toda essa pulsação para o sexo
Venha do sábado
“porque hoje é sábado”.
Ou teria sido ontem
E ninguém viu?

Acontece que nada aconteceu...
...ainda!...


Thais, Vinícius e Lule.
31. 08. 04