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Castelo de areia

Eu até sabia que o amor doía um tanto. Que os castelos de areia não são reais. Sabia que podia doer um pouco mais... Só não esperava.Eu não queria. Fui te esticando, te ganhando tempo. Uma conversa aqui, um beijo de canto ali... Um sonho no só por hoje, outro no amanhã, projetos afins, uma parceria, muito encanto, pouco chão, muito céu, carnaval. Carros, pernas, bicicletas, aviões.Puf! Queda livre. Sem paraquedas.Eu sei, não se pode abdicar das dores, nem dos amores. Sobretudo, quando vem assim, bagunçado, escandalizado. Amor grandioso mesmo, coisa fina, vem ver!
Peça única, nem pensei que pudesse existir, e eu nunca mais tinha visto um desses, tanta força, tanto querer, todo esse mar. Essa nova poesia. Ufa!Eu só queria um pouco mais. Um sorriso, um cheiro, umas risadas, um mergulho. Mãos dadas, meu porto, seu peito, nossos cabelos. Sua barba, seu sono, suas tristezas, meu silêncio. Só mais um pôr-do-sol, dessa vez, bem que podia ser em outra língua. Eu fico sem água, vem cá, não pre…

Acontece

Ah, o amor tem dessas coisas.
Não é sobre ver corujas em todos os lugares. Nem é sobre não conseguir mais passar por nossas moradas sem lembrar de ti. É sobre não ser mais a mesma, e, ainda assim, ser linda. E tua. É se aperceber em um novo universo, cantando outras cores, desenhando uma outra música, dedilhando poesias. É sobre tudo o que cabe nos nós.
Quem disse que eu caibo em mim?
Ah, esse amor, que me visita há tanto tempo, aos montes e aos tantos... me acorda e me tira dos sonhos, me leva o sono, me arranca o ar. Me faz cativa da mais perfeita saudade, que, de tanto machucar, me alivia toda e inteira no pedacinho doce do teu sorriso.
Me traz desejos e vontades, vem mudando o rumo dos caminhos, pois que, vindos de ti, e, de tão bons, fazem do desconhecido um porto seguro. E a vontade dos passos serem juntos dos teus.
O amor está até nas suas ausências, porque nelas tenho a certeza do seu chegar, e o alívio pros meus infinitos esperares. 
Ah, o querer bem...
Esse bem-me-quer, que s…

Lista-presente

Imagem
Tenho alguns segredos para te contar.
De tudo que gosto em você, escolho aqui o que mais gosto.
N’algumas coisas, escolho as que ficam mais, porque quase tudo fica.
E fica muito.
Ficam as nossas sextas, cheias de horas extras, com cara e jeito de tempos sem fim, dentro do tempo de 30 minutos, uma hora e mais um pouco, e mais um infinito inteiro, como naquele resto de tarde entre o meu desastroso boliche e todas as confissões que couberam no nosso açaí. Porque tudo conta.
E conta muito.
E nesse tempo, quando é nosso, quero sempre mais um pedaço, sempre peço mais uma morada. No teu cheiro, no nosso abraço, no nosso sexo sem cinto de segurança. No seu sorriso de olhos apertados.
E fica um tanto naquele beijo, porque não há beijo de um. Tampouco encontro sem dois.
– Eu dirijo agora, escolhe você o lugar, desse jeito fica difícil dirigir, na volta eu levo. Pra onde você quer ir? Decida.
Na nossa estrada, valem menos as escolhas, vale menos a chegada. Tudo o que temos é o caminho. 
Nele, dividimos …

Sobre paz, sorrisos e borboletas

Eu preciso te falar das minhas borboletas.
Dessas, que moram no meu estômago, e ficam saltitantes só de lembrar de um sorriso seu. 
Aquele, de canto de olho, entre uma aventura e outra, ou daquele, durante os nossos encontros e desencontros das mãos.
Elas realmente ficam muito felizes quando te veem.
Acho que gostam de ti.
E creia, não é culpa minha. Elas vivem em mim, e brincam de crescer e se alimentar das suas cheganças.
E elas adoram as suas surpresas. E todas as coisas encantadoras e inusitadas que fazemos juntos.
Mas se você não vem, ah, elas se esvaem. E ficam murchas, e tristes, e bem quietas, como quem morre de fome. E elas quase morrem mesmo. De amor, de sonho, de desejo e de saudade.
Por que não dizer?
E quando é tarde, mas não nunca, e você vem, elas renascem! E pulam e dançam, seguindo o som de todas as músicas e todas as cores e todos os sinos.
É engraçado... Elas me fazem cócegas, e me fazem rir. Me deixam assim, com esse sorriso doido, sorriso de quem conjuga os v…

Só por hoje

Por mais tâmaras e afetos.
Por mais sextas de jazz, fotos e sorrisos à noite, ali, na ponta do mar.
Por mais mãos dadas sem se dar conta.
Mais fotos escondidas nos meus cabelos.  Será que dá pra te guardar aqui?
Por mais troca de pijamas, bermudas e cuecas. Deixa, eu escolho.
Por mais lugares de comer sem roupa.
Mais, muito mais lasanha de frango, danças, e, da próxima vez, com uma rádio que ajude. Sem interrupções.
Por mais gargalhadas, presentes, lágrimas e surpresas durante o chá, pão de queijo, capuccino.
Por mais pedidos e suspiros deliciosos ao pé do ouvido.
Mais do nosso inglês gaguejante no corredor. Mais visitas ao 118. De parede lilás e poucos espelhos.
E nunca é demais para os nossos vídeos e músicas de meditação. E projetos de uma semana.
por mais das nossas conversas, confidências e desabafos intermináveis, do chocolate bom, do ruim e do café na saída.
Por mais planos de viagens, Aracaju, Itacaré, chapada, carnavais, congressos, concursos, teses, biografias, seu quart…

Filme-sonho

Era um dia de trabalho, e estava tudo diferente. Era escuro e cinza, mas não tinha chuva. Era quase noite, ou talvez quase manhã. Era preciso partir, viajar, então, coloquei o básico na mochila e saí. Bem se via um viço e uma juventude de outro tempo, mas com cara da mesma pessoa: eu. Sozinha, com medo, ansiedade e cheia de sonhos e esperanças. Quando penso nisso, me dou conta do quanto é bom, de como é gostoso viver de aventuras de quando em vez. Coisa de outras vidas.
Pois bem. Tudo começa com os preparativos pra essa viagem, que no começo, era o Rio, e depois, já era um enorme navio transatlântico, cheio de perigos e medos. Mas, pra onde? Pura loucura... É tarde. Preciso correr. Essa mochila não ajuda muito, e não se pode confiar em ninguém, ou quase. Nela, tenho tudo: o mínimo de roupas, biquínis, óculos escuros, água, mel, chocolate e a pasta com os documentos. Eu acho que esse currículo não ficou tão bom, mais pra frente vou ver o que posso fazer com isso. Vou pra um lugar inédit…

Saudade?! Não, obrigada.

Não. Eu não sinto falta do barrigão. Eu adorei estar grávida, eu nunca me senti tão linda e tão plena, eu nunca pensei que aquela doce espera fosse a espera que iria me mudar e mudar pra sempre a minha vida. Por que ninguém me avisou, Jesus?! 
A minha barriga foi a mais linda de todos os tempos, só eu sei, e só eu me senti e me vi assim, com pintagens e nariz de Peppa Pig e tudo. Eu sei disso, e eu me lembro. Eu vivia exibindo minha barriga em saias longas e cropets, e eu nunca me senti tão linda e exuberante. Mas eu não sinto falta e nem saudade. Porque, apesar de ter mergulhado no planeta gravidez, parto humanizado e maternidade com afinco, afora ter vivido, passo a passo, o mês a mês de te esperar, Marina, eu não fui feliz, não fui só feliz com isso. Eu trabalhei que nem uma louca, e eu esperei o super-marido-papai-amante-homem surgir, e... nada. Tive que viver sozinha as agruras e felicidades de cada ultrassom, daquele sangramento, daquela reunião no grupo de gestantes. Vivi tudo à…