25 de setembro de 2013

É TEMPO?

Eu juro, eu poderia te ver, agora, nesse escuro. E seria bom e lindo, porque o seu sorriso alumiaria a tudo, traria a música, encheria meu coração tão triste de amor e paz.

Eu estou com sono. E deixaria esse sorriso, esse amor, para amanhã, se pudesse, mas não. É tempo! Eu preciso de um alento de você.

Não espere! Venha, então, de pouquinho em pouquinho, na minha alma de saudade, de um sopro de pensamento!

Eu sei bem o que eu quero de ti, amor.

O meu tanto sempre será desmedido, sempre será muito. Eu nunca soube ser rasa, ser beira, ser chão. Ou vou com muito, ou perco o ar, ou não posso, não consigo ir.

Mas você nunca soube lidar com o mergulho, nem aos sábados. E hoje, que é ainda terça, você será capaz dessas montanhas comigo?

É tudo tão lindo, eu preciso te mostrar! Mas está frio, por isso não se atrase. Eu tenho calor de sobra pra nós dois. E tu jamais ficará sozinho novamente.

Não me preocupo com a sua solidão, amor. Aqui, em mim, está tudo tão transbordante que tu sempre me sentirás em ti.

Me importo mais comigo: o meu vazio é grande, é infame, mesmo quando tu, comigo, estás. Mesmo quando estás dormindo, e eu te vejo, como agora.

Acaso são meus os sonhos que vão por aí, a voar de ti? Como jamais saberei, morrerei angustia, saudade e amor. E continuarei tão só, e tão cheia ainda.

Te olho mais uma vez: peço, inútil, mais uma mão, mais um olhar. Aqui mesmo, que me importa se já é tarde, se tens sono, se há o escuro, pois que isso acalentaria o meu coração?

Nada. Tudo dorme com você. Eu te cubro os pés. E sorrio.

Choramingo, e sigo, menos vaga, menos triste, porque te dou tudo. Dou a mim, inteira. Insana, tempestade e mar.

Te esquento. Mas estou fria.

Dorme bem, meu amor.

9 de setembro de 2013

DOS EXTREMOS

E eu já disse isso da outra vez. Os dias vêm, e a dor se vai um pouco menos. Um pouco no mais.

O meu disco não sabe cantar outras músicas. É tudo usado.

E de onde vem essa contagem doida de cinco milésimos, essas semanas, um infinito de mês, mais um dia, 324 horas e mil minutos sem ti? Feliz aniversário, dor.

Uma vez uma amiga me perguntou: “ainda está contando? Quando parar, é porque já está indo”. Cadê, que não foi? A mentira era minha, ou o erro era dela? Viver de um momento. Essa rasgou.

De todos os seus, você me deve aqueles. Os dias brancos da sua vida foram meus. E eu, cá com os pretos, por ora, também.

E o meu depois não é nenhuma queixa, nem nada. Sou eu, me sentindo imunda no meio desse lixo de lembranças, e dessa sujeira de ontem. Por que não era pra ter sido assim, mas eu não consigo limpar nada ainda.

E eu me venho de polos cíclicos, mas fajutos, pois que não levam coisa alguma. Pra que, então, essa troca de favores, se eu detesto pedras, e esse vento não para de bater na minha cara de porta? Eu estou petrificada do novo. Não é que o velho ainda sirva, apenas dói, e me suspende sem respiros.

E aquele choro, aquele soluço foi só meu, engano tentar esconder. O seu pesar não é verdadeiro. E eu nem tenho raiva assim, porque aprendi que sou intensa demais pra aguentar a indiferença por infinitas horas. É a tristeza do tempo, amor. E depois, a vibração dos risos alheios. Bolsos cheios!

E quando o tempo da paciência vier, eu vou me lembrar que esqueci de contar.

Sabe que dia é hoje? Nenhum dia especial.

É só um dia, ou outro, de amores insalubres.

Saúde!


Gilda. 10.09.2013.

6 de setembro de 2013

MAL-ME-QUER

Horas e horas
de um desassossego
qualquer

Tudo me vem
na inquietude das manhãs

Já solicitei o sol

Mas qual!
Não há, sequer,
a necessidade de nuvens

Inútil.

Só tenho o bem-me-quer da chuva.

Gilda e Aion.

06.09.2013

5 de setembro de 2013

KEEP OUT

Olhando,
ninguém diz
Ali vai uma saudade

De longe,
não se sabe
Aqui vive um amor

Que fome, que pele, aos quantos?

Um rasgão!
Chega perto!
Vê!

Mas, cautela:
às vezes morde.

GIlda. 05.09.2013.

4 de setembro de 2013

SETEMBRO

Um preparo pra dormir. Há sempre um quê de resistir, e isso me é antigo. Algumas vezes, comédias românticas me deixam saltitante, sorridente, mas, nessa noite, trouxe um misto de saudade e agonia. Um incômodo, uma onda de não me encontrar nas coisas de mim. Às vezes, acontece.

Vou checando tudo: findo a noite, inicio a madrugada. Já lavei pratos demais, esses, ficarão felizes e limpos no amanhã. Corro pro varal, roupinhas úmidas, inclusive meu tapetinho de quarto. Ai, que me deu um aperto... que é de ti, meu tapete, no pé da cama?... até meus pezinhos gelados estão sentidos.

Que coisa, saudade por causa de um tapete molhado, velho, outrora imundo! Que isso de sentimentos?
Essa de saudades tolas me dizem: comecei o meu setembro melhor de coração, boa de melancolia, indo, de leve, de nostalgia.

Mas é isso, um bom ciclo se fecha, mais um, deixa o rancor e a negação daqui pra antes! Vejo tempos de aceitar, de caminhar mais brisa, mais vento... não sem doer, mas com um gosto de cura.

E, quando menos espero, eis que o tempo me dá presentes! Passar naquela rua, por aquela esquina, já me tirou o ar, o sono, tantas e tantas vezes. E eu que cheguei a imaginar que nada poderia ser bom, que tu não irias passar. Nunca.

Não, disso, eu não morri. Vivi! Vez em quando tu me vens num sonho bom; agradeço, te mando luz no meu cantinho de riso, e me vou. E essa esquina agora me traz novas saudades.

Não se morre, se muda! Se colhem maturidades e aprenderes no depois. Decerto que ainda não, mas sim, ora vai, ora fica, indo um pouco aqui, um choro ali, menos melodia no ar, some aquele abraço, vai aquele momentozinho de amor, abranda a febre, amorna o chá.

Pra que ir sempre de comida quente, café pelando? Espera. pouca hora esfria, meu bem. E, quando menos se pede, menos se vê, foi toda a dor, todo o sentir. Muda o tom. Outra saudade.

Vem, chega, liberdade! Traz a minha primavera, com flores e tudo! Daqui a pouco vem calor de novo! Vem, amor, mas vem noutra copa, nova melodia, noutro tempo, noutras pessoas.

Eu vou te seguir. Serei eu. Porém, outra, novinha em folha, meio madura, meio aprendiz, porque ninguém há de dizer que não senti. Que não fui eu, a sós, naquela embarcação. Serei eu também, nova alma pra dar.

Amanhã meu tapetinho vai secar. E vocês, pezinhos, e tu, coração, nem lembrarão desse frio de agora.

Sonhos calmos pra um dia.

Que assim seja, Tempo.

3 de setembro de 2013

AINDA

São duas horas. E são também seis. E eu não sei o que fazer com isso.

São muitos eus de silêncios, e gritos de sopros contidos, para, de um sim, de uma saudade absolutamente vã, de uma pseudossaudade, tudo se bagunçar. Tudo relativizar.

Eu não quero o descontrole, tampouco o antes. Que se fodam os egoísmos alheios! Quando me eram cólicas de rouquidão, não se ouviu um talvez sequer. As certezas eram surdas. E todas suas. E todo mundo acha bonito quando o refresco é dos outros, mas em mim, não.

Isso de injustiça e de confusões que fiquem por lá, e sabe-se lá onde. Ou de quem. E dos porquês. Nem hei de interessar-me pelas agruras e mimos de ti.

A mim não couberam apenas as lágrimas madrigais? A insônia fastiosa, resultado desse amor inútil? Por que, logo agora, essa modernidade repentina de indivualismos pueris? Acaso estou num bufet, num salão, bandeja à mostra?

O abacaxi bom todo mundo quer. Mas aquele, de ontem, que ainda lateja, o podre, esse, ficou só comigo. Eu que descobrisse como lidar com ele.

Me vou, de língua cortada.

Eu levo a minha vaidade, e vou lidando com as mágoas.

Há de vir uma boa brisa, que me livre das carrancas impunes e da ausência de sabores...

Continuo odiando abacaxis.