22 de maio de 2014

Relógios


Tenho sonhado com você. Ontem, sonhei de novo.
São meias lembranças de beijos e abraços tão inteiros que me acordam com tanto gosto de você. E muita falta de ar.
Ou me tiram todo o sono, como hoje.

Não acho que isso esteja certo, e nem entendo por que te vejo tanto, mesmo não estando mais em ti, meu bem.
Seja, talvez, por ainda estar à espreita, à espera.
Mais distante agora, embora, não menos.
Que fique claro: não é que eu não queira, são apenas relógios diferentes.

De tudo, ficaram os calafrios, as gargalhadas, os cuidados e o seu sorriso.
Ai, meu Deus, o seu sorriso...
Pelas noites, mais um gole, um pouco mais de aventuras. E sexo. Muito sexo.
Banhos, ainda caibo tanto nesses chuveiros de manhãs que te dei!

Eu sei. De tão bom, não será ainda, amor.
Você só morre daqui a pouco.


Gilda, 22.05.2014.

19 de maio de 2014

Brechó

Brechó

Este blusão
que me coube tão bem no verão passado
não me cabe mais

Mangas puídas
Bolsos ampulhetas
Pedaços de você

Eu não quero guardar mais nada
Sorrisos, retratos,
Tardes ensolaradas
Insultos não proferidos

Agora coração murado
Feito filmes da Disney

E o velho relógio parado derrete
Ponteiros de amores perdidos

Maldita herança do meu avô.


Aion e Gilda, 19.05.2014




Alagoinhas

Domingo na medida
Boa pedida
Para corações enfartados e moribundos
Para vidas remendadas
Cerveja gelada, brindes a nada
Beijo usurpado
Raios urgentes
Perdemos o viaduto
Saída de emergência

Volantes para lugar algum
Tudo é sempre muito
Engana-se!
Até dói
Não há nenhum coração rendido.



Gilda e Aion, 19.05.2014

5 de maio de 2014

Suas Insônias


Não é nada, eu apenas não consegui dormir ainda.

Isso de pensar em nós, de quando em vez, me traz, inevitavelmente, meus suspiros.
Gosto de lembrar dos seus. Sorrio.

Agora é saudade. Ontem, era a falta de ar e o meu frenesi, e um pouco mais vindo do seu mais doce e novo viver em nós.

Sinto tudo, vejo as cores, ouço seus sorrisos e sinto os beijos, todos eles, um a um e aos montes. Fascinante simpatia, e tudo o que mais vem de ti, meu bem.

Como não gostar desse seu jeito?

Suas palavras não me saem, tampouco todo esse novo frisson, essa nova canção, todo esse teu cheiro de mar em mim. Eu sempre te quererei no meu amanhã.

Te dou um animal, quero bocas. Acho que estamos mais para cães e tigres. Adoro gatos, mas a sua pele e a minha química se juntam melhor às nossas conversas de manhãs.

Delicioso, mais que perfeito somar com você.

Vem, eu te deixo dormir até mais tarde.

Eu já sei fazer pirão, vou ensaiar as moquecas.

Não esquece dos caranguejos e de tudo o mais.

Então é isso!

Os peixes nos farão companhia.


Gilda, 06.05.2014.

1 de maio de 2014

Sobre canções, cervejas, amores e marés

Me dê uma música pro meu hoje, e eu te faço um poema bonito só pra te acordar.

Vou te cantar um pouco mais por aí,  porque felicidade só é bom a dois.

Saiba, eu não tenho mais como ver as noites sem os seus olhos.
Nem viver sem os dias e dias de nós e dos nossos sorrisos.

Dos mil beijos que me destes, te trago um pouco em mim.
Por causa deles, te dou tudo:

as minhas mil e uma manhãs, os meus melhores retratos,
a saliva com gosto de sexo,
meu suor e meu sono,
e o meu melhor descanso.

Mas não durma ainda, amor
Vem ver o Sol que roubei pra ti
Toma mais uma cerveja.
Vem, te ensino tudo!
Agora são tuas todas as minhas marés.

Gilda, 02.05.2014.