11 de novembro de 2009

Fragmento de insônia que mandei pra minha amiga em Londres:

Estou me sentindo tão só, amiga...

Só, no meio da multidão atarefada.

AMigas com seus namorados e maridos; amigos com suas namoradas e esposas; amiga em Londres; amiga em Portugal; amiga na casa do caralho; família multitarefas; e eu, multi-muito-atarefada com atividades que não preenchem nem o meu vazio, nem a minha insônia...

Queria que você estivesse aqui hoje.

Todo dia.

BEijo.

Saudade.

23 de outubro de 2009

Para Lule

Coisas de melhores amigas... (para minha Lule)




“Estava à toa na vida, o meu amor me chamou, pra ver a banda passar, cantando coisas de amor...” Ah!, essa ela conhece! Seu pai vivia cantando quando ela ainda era uma menininha. Como Lory?! É. Um pouquinho depois, a gente se conheceu. Faz tanto tempo que eu nem lembro como foi. Tudo que sei é que, desde que me entendo por gente, ela está aqui. E não ali, lá longe, em outro momento, em outro Estado, em outro país. Aqui. No meu peito. No meu coração. Ela é a minha saudade de dançar “cara caramba cara caraô”; de ouvir “Eduardo e Mônica” até cansar; de cantar Geraldo Azevedo um monte de vezes também (“começo de tudo, não dá pra saber, passado ou futuro, adoro você – MENTIRA!”). Eu sei, desta última ela nem se lembra mais... E eu nem ligo pra esse seu jeito de esquecer as coisas. Já me acostumei.

Até Angélica (possas crer que é!) a gente curtia. Sabe o que é que eu mais gosto nela? Ah!... os milhares de olhares que a gente, só a gente sabe trocar. Só a gente consegue entender. É o bonito “paumbomentêmêpálábás”... Viagens de duas amigas: apaixonadas, lindas, chorosas, sofridas, arrasadas, carentes, cantantes, vaidosas, viciadas, embréagadas, (assim, com é agudo mesmo) mentirosas, verdadeiras, românticas, desiludidas, vaidosas, inteligentes, desleixadas, sujas, preguiçosas, hippies, roqueiras... Ai meu Deus! Já fomos tanta coisa juntas! Quem poderia acreditar que fomos budistas? “Na Mioho Rengue kyo, Na Mioho Rengue kyo...”. Musicistas da Kotekitai, dançarinas do Taiga. Hoje andamos meio descrentes, ora espiritualistas, ora projeciologistas, apesar de um pouco medrosas... Essa coisa de “pagar pau” pro obssessor é meio complicado (não é, Ítala?)!

E de profissão, já quisemos ser de tudo um pouco: cantoras, dançarinas, aeromoças, vendedoras de modulados, poetizas, psicólogas, bancárias, enfermeiras, mães, professoras. Filhas fugitivas! Uma, de mochila com roupinhas, casacos, utensílios de higiene, toalha de banho; a outra, com Danone, Todinho, biscoito Passatempo, chiclete, bala... Desistimos antes de chegarmos à linha do trem, ali atrás, quando o Verde Horizonte ainda era mais zona rural do que “boca quente”. Até cofre secreto no jardim a gente teve. Você já teve um? Pois é. Morra de inveja!... Só não sei o que meninas de oito e doze anos podem ter de tão secreto...

Nossos namorados costumam ciumar dessa loucura que somos juntas. Acho que, no fundo, eles ficam perdidos no meio de duas, como direi, excentricidades, delícias, ameaças constantes...

E os carnavais? Mamonas Assassinas! Casa de Josa!

Praias, meninas seminuas em topics quebradas, esperando o pai buscar no posto... E as fases musicais que dividi com ela? Ai, ai... Adriana Calcanhoto, Roupa Nova, Aerosmith: “Don’t wanna close my eyes!...; Nana Caymmi: “onde você estiver, não se esqueça de mim...”; Marisa Monte. E as mais recentes: Vander Lee – “eu queria poder te dizer sem palavras, eu queria poder te cantar sem canções...” (esse ela odeia); Djavan: “te adoro em tudo, tudo, tudo...”; Jorge Vercilo: ”coisa pequenina, centelha divina, renasceu das ciiiinzaaas!”...; “–Toca Ana Carolina! – minha garganta estranha, quando não te vejo, me vem um desejo doido de gritar”; “– toca Los! – Iaiá, se eu peco é na vontade, de ter um amor de verdadeee...”. E agora, quem diria, Chico Buarque: “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia...”. Enfim, são tantas músicas que até me perco nas lembranças... E os reggaes? Jacuípe, Jauá, minha casa, casa de Alex 1, maluquices com Alex 2, Guarajuba, Arembepe: “Olha a lua! A lua tá lindaaaaa!”; Pimenta malagueta: “ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, aaaaaaa aii...”. Ah, se eles falassem...

E o último virote: Dias d’Avila e, quem diria, Sorria meu bem. Há quanto tempo! Surgiram até poemas! “Noites de Antártica no balcão...” e “transando comigo, contigo, com você, com ele; só com ela”. Quase vinte e quatro horas de águas...

Enfim. Ainda bem que temos uma a outra. Ainda bem que temos toda essa história de música. Diários. Fugas. Ópios. Cartas. Distância. Lágrimas. Desenhos. Idéias. Madrugadas de conversas. Homens. Risadas. E, no meio de toda essa saudade, de toda essa lembrança, nos amamos. Muito. De um jeito só nosso, todo lindo, com cor azul (apesar de agora ela ter invocado com preto!) e gosto de Pão com queijo. Miojo. Chocolate meio amargo. Trident de canela.

Só queria entender porque, apesar de tudo isso, ela ainda diz que somos muito diferentes...

Eu te amo. Feliz aniversário.



Camaçari, 04 de setembro de 2008.

Thais, 27 anos. Lule, 24 anos.

Aquela sentida

Mais uma do Penseiros do Quiprocó:



Noites de Antártica no balcão
Noites perdidas
Noites escolhidas
O dormir
O perder do conhecer
O esquecer para lembrar
Noites alucináveis
De Lule, Flávia, Thais, Jérssica
E os meninos. Ai! Os meninos!
Juninho, Bibo, Vinicius, André
Buldogue!...

A noite envelhecendo
E o dia ficando cada vez mais longe
Longe das estradas que percorro
E busco o samba
Aqueles sambas gostosos de sexta-feira
De celular achado no banheiro
De beijos e fotos,
Saltos e sonhos

O frenesi de copos (e corpos) suados
Gelados e amargos
Noites de embriaguez
Noites apaixonadas
Ou de corações partidos
Mas que, na verdade,
São de grandes corações unidos.
No final, a amizade prevalece.
E tudo começa de novo,
E de novo,
Neste balcão
Nesta cerveja
Lembrando e sonhando de novo
E de novo
Um Chico
Aquela tal de Ana
E esses caras do Los? Quem conhece?
Momentos de “Bem te quis”
E de “ainda é cedo amor...”
Que aqui ficarão
Na lembrança
Até nunca mais...



Thais, Lule, Vinícius.

31.08.08

14:07

Um fragmento para minha amiga Flávia Naiana

Queria ser como Flávia... Queria ter essa coisa de morrer por dentro, e rir. Ninguém vê! Tudo está maravilhoso, nada a aflige. Não há nada que não possa ser resolvido. E se não puder, realmente, fazer o quê?! Comer água e ser feliz. Tirar o peso... No final, tudo se resolve! Não há dor, pelo menos não aparente. Nunca a vi chorar. Nem de cara feia. Nem de mau humor. Quando briga, das poucas vezes que presenciei, acho que, na verdade, uma só, é rindo, ironizando, curtindo e fazendo pouco caso. E o cigarro? Ah! Aquela coisa, pra mim, tão nojenta, mas que lhe dá um ar de propriedade e segurança tão seus que faz qualquer um anti-fumante querer fumar... Todo aquele tamanho de proporções animalescas seduzem qualquer mortal, homem ou mulher, de idades distintas. E as gargalhadas? Ah! Deliciosas! Contagiantes! Me fazem esquecer de toda dor, todo sofrimento, e acreditar que é possível ser feliz. Ela não é?! Gosto muito, e, sobretudo admiro a sua inteligência, os seus gostos musicais, às vezes parecidos com os meus. Chico Buarque! Agradeço a ela (e a Vinicius) estar mergulhando agora nesse artista tão incomum e tão cheio de singularidades. Mas, o que de fato é mais delicioso nela é o impulso. O não pensar, aproveitar cada segundo, viver a vida, literalmente, de uma forma intensa. Ela é tudo o que eu não sou, mas que gostaria muito de ser. Uma mulher maravilhosa, incrivelmente madura pros seus 20 (ops!, 21!...) anos, linda, orgulhosa, senhora de si, comedora de água, sem nenhuma preocupação com as coisas sérias e chatas da vida. Será que ela sente “a mão apertando o peito”? Será que perde a noite pensando no amor que perdeu? Nas traições e armadilhas do coração? No possível mestrado? Na falta de dinheiro, de trabalho, de amor? Talvez. Porém, a maneira que ela vai encontrar pra viver essas aflições será num bar, com um copo de cerveja sempre cheio, envolto de fumaça e gargalhadas na madrugada.

E, tudo, em dois tempos, passa. E por que queria ser tanto ela agora?... Porque não estou agüentando toda essa ansiedade, essa vontade de tomar clmante pra dormir. De tentar ficar entendendo coisas que não têm mais explicação, de tão claras que estão. Vontade de sair correndo dessa “saula” (sala + jaula), que não consegue prender a minha atenção, mas que não tenho coragem de sair. Coragem?! De fazer o que quero? De não me sacrificar, de não pensar tanto no futuro? De mandá-lo pra casa do caralho? Isso, pra mim, é impossível. Possível mesmo é ligar pra ela, querer estar com ela, numa tentativa desesperada de roubar um pouquinho dessa loucura gostosa que ela é. De ficar olhando para toda a sua euforia, porque só isso já faz um bem danado...

Ela tem essa coisa de morrer de raiva e, em segundos, descobrir um jeito de fazer passar, de não sofrer por causa disso. É tipo autodefesa, imunidade, super valorização. Sei lá. Só sei que não tenho isso. Tenho é o contrário, isso sim! Tendo à dor, à diminuição, ao encolhimento gradativo e natural. À falta de ar, à dor aguda no peito. Duvido que ela fique “toda se tremendo” por algum motivo. Ah! Ela não deixaria esses tiques sintomáticos estragarem a sua paz. O seu final de semana...

Como uma pessoa consegue ficar meses sem celular e não esquentar com isso? Eu, refém, olho o meu a cada dois segundos... Já é até uma distração, um movimento autômato: olhar, ver as mensagens que já apaguei, as ligações que não recebi, e sofrer por causa de tudo isso. As músicas que já enjoei de ouvir. Ah! Mas não seria Flávia a pessoa que sofreria tanto por causa de um celular e tudo o que ele representa! Já o teria jogado pela janela! Aliás, que janela? A do carro, provavelmente, porque, com certeza, ela já estaria dirigindo a quilômetros daqui! Quem sabe estaria chegando àquela ponta da praia e pedindo mais uma cerveja, aproveitando o sol da tarde de sexta...







Thais Dultra.



12.09.2008.

Aula de mestrado – Dante – UFBA













Pois é, Flávia! Resolvi te dar, finalmente, o texto que escrevi pra você. Está na íntegra. Não mudei nada. Sei que a gente já viveu muita coisa junto, e que algumas mudaram um pouco. Eu já te vi chorar. E também já te vi chateada, triste e angustiada por vários motivos, até muito pertinentes. Mas, ainda assim, o texto não perde a sua essência, porque não mudei a visão que tenho de você: uma mulher linda, incrivelmente sensível, indefinidamente amiga e profundamente maravilhosa. A minha garota piropa, cachaceira, louca, que eu adoro, que mudou o meu jeito de ver e viver a vida... A pessoa que faz com que as coisas sejam mais leves e tenham a devida importância. Nem mais, pra não fazer a gente sofrer além da conta, nem menos, pra não deixar a gente tão largada. Eu, tão séria (será?), de repente me vejo comendo água com você, enlouquecida, tirando o peso, rindo horrores...



Feliz aniversário, amiga!



Que você seja sempre esta mulher maravilhosa!



E, agora, vou ser extremamente egoísta: nunca saia da minha vida! Se faz diferença pra você eu não sei, mas pra mim faz, e muita. Se você se for, sentirei muito a sua falta!

E aí, o reggae é aonde hoje?

E os grossaços?

Avemaria!

Eu te amo!

Vixe! Já ia me esquecendo: você é Mara! Beijos, me liga...



Thais.

17 de novembro de 2008.

De leve


"Ele queria ficar comigo!”...
Lule está aqui dizendo coisinhas de Caio. E eu aqui, ouvindo, rindo, lembrando... E querendo escrever coisas sobre você. Coisas como na música de Chico, que caiu como uma luva para as lembranças de um dia bom. Por que já era dia. Você, todo lindo, dormindo, e eu nem acreditei que poderia existir pra mim.

E aí, no meio de tantas conversas, encontros e desencontros musicais, esqueci que havia mais pessoas lá. Pra mim, éramos só nós dois. E o “reggae” começou a ficar engraçado. Tudo bem, você ainda não sabia disso... Mas já ia saber. Já saberia que eu te avistaria, num relance, num lapso de socorro a alguém já embriagado (uma amiga estraga-prazeres...). Você, a deitar e sonhar naquele sofá-cama. Já sentiria o meu beijo ousado nos seus lábios ainda sonolentos, e depois surpresos, talvez, mas não menos gulosos e satisfeitos em me beijar, em se deliciar um pouquinho mais. Beijo invertido. E entre um cuidado e outro, beijos furtivos. E mais beijos! Ai, um sono, uma coisa de ficar toda mole, toda eufórica, toda faminta de você!

E, naquela confusão, finalmente miojo de talharim e yakissoba, que ficou sem sal por sua culpa. Eram pra ser os dois sachês de tempero! E mais conversas, risadinhas, afinidades. Detalhes sobre o “lance do buzu”. Surpresas de minha parte. Bastidores da vida de homem, de rapazinho. Detalhes das mulheres em seus vários níveis. De ficar. De transa. De namorar. De ser amigo. “Galera do Asa”. Nem gosto de meninos “galera do Asa”. Mas você é diferente! Por quê? Ah! Só porque eu quero que seja. Talvez ver um lance de maturidade, coisas de meninos de vinte anos. E você, assim: estranhamente lindo, todo rosado, de boca rosa e olhos meio manga verde, meio carambola. Tem um pouco de mel também, sei lá. Os cabelos, que eu fazia questão de ter entre os dedos, tem uma cor meio louro escuro, castanho claro, de uma textura meio fina e macia, com um cheirinho de dormir, ou de quem dormiu. Ou de quem não queira dormir ainda... E as mãos, brancas e lisas, que em algum momento percorreriam partes interessantes do meu corpo. É, eu já desejava isso. Pedia isso com os meus olhos de comida. Na sua boca. Na sua nuca. Na sua barriga. No seus olhos, nos seus cabelos, e em tudo que exalasse de você.

De lá do quarto, do alto, surgiu a vontade de apostar e de ficar cada vez mais acordados. Que aposta, se ninguém perde? E eu quis perder. Ganhar você. De leve. Um pouquinho mais, um pouquinho mais...

Alguém podia ter chegado, e a gente fazendo loucurinhas por ali. Muitas respirações e suspiros, e cheirinho de cama quente, coisas rígidas, molhadas, doloridas, delirantes, engraçadas, sutis, escancaradas, reprimidas, comedidas, de cabeça perdida, de perder a cabeça, de querer a todo custo... Meu “não” com cara e corpo de “sim”, minha boca entreaberta a sentir a sua língua vermelha e quente. Minha língua e lábios desejosos de todo o resto... Ainda suspiro ao lembrar..

Tudo muito, nada pouco, tudo intenso, gostoso, gosto do novo, cheiro de manhã sonolenta e cansada, mas linda, linda! Há tempos não via um dia tão lindo assim... Manhas sem problemas, sem tristeza, sem saudade. Só delícias. Carícias. E depois, um calafrio. Eu, tremendo. E você ainda pergunta porquê?! Então não sabe o que faria uma mulher tremer assim?! Pois é. Quem sabe um dia eu te conto! Te mostro. Te espanto. Te surpreendo, te ensino. Um dia, quem sabe, no quarto de rapaz solteiro. De porta nova e liberdade. E eu, tomando a liberdade de querer você...

Minha sempre preocupação com o depois, num conflito com a vontade quase que insuportável de te provar um pouco (muito) mais. E você, insistindo em dizer: “de leve”... Ah, me leve, não releve, me revele, enleve todo o meu ser, toda a minha dor, todo o meu corpo seminu!

Me leve em casa, façamos loucuras, a todo instante, em todo lugar, a todo vapor. Não saia do meu pensamento, esteja no meu coração. Entre na minha vida, modifique tudo, modifico você.

Consume, consuma, comece, termine o que já começamos, continue a começar e a terminar. Comigo. Em mim. Pra mim. Por mim. Enfim...

Não deixe que passe, não perca tempo, sejas meu!

Sejas só meu de novo...

De leve.

Thais.
20. 09. 08