27 de dezembro de 2010

It's just an e-mail

Eu te amo.

E é uma pena, pra mim, ainda cultivar esse sentimento.

Claro, há muito que vangloriar e sorrir.

Mas hoje, há muito que lamentar.

Lamento, então, toda a minha Saudade,

Essa, com S maiúsculo, porque é ímpar, singular, peculiar. Eterna.

Lamento toda a minha mágoa, que, por mais que tente, não consigo deixar passar.

Você não passa. Renova-se a cada dia, a cada sonho, pesadelo à noite acordada.

Lamento a minha tristeza de hoje. E de ontem, e do dia em que brindei os sete por três dias, e de você não tive nem a lembrança da nossa data.

Lamento minha inveja, ao te ver sorrir, comprar brinquedos novos, brindar amores que não o nosso. Invejo as suas más companhias, porque não sou eu a estar te mal acompanhando.

Lamento a minha raiva, a minha vontade de não te ouvir, não te atender, não te ver, não te querer. E imediatamente querer enlouquecidamente um segundo, que seja, de você.

Lamento minha vontade. Ela é só minha, não vejo nada vindo de você.

Pronto, virei o próprio muro das lamentações. Só lamento, reclamo, esbravejo, pois que é tudo o que eu posso fazer.

Agredir, espernear, chorar. Beber, rir, difamar, chorar de novo. Te chamar o tempo todo, te esperar, te ver em tudo, e inutilmente não te achar em nada.

E continuar a buscar. Continuar a te amar.

Inútil e lamentavelmente.

Que pena.

8 de dezembro de 2010

Para Musa

Vou te contar numa manhã de sol
Que serei tua
Contar a ti, a eles, a todos
Que de todos os olhos os teus negros
Me tomam e me levam longe

E o teu riso tímido avisa
Junto às formas todas
Delicadamente traçadas
A hora de parar

E por que parar, se em ti me vejo tanto
E não há o que temer
Nem por que ir
Não se deixa o infindo
O inédito
O surpreendentemente gostoso
E lindo

Descobrir, invadir a casa no banhar,
E achar no recôndito quarto o despertar
Do ser na varanda sol nascente,
Celeste coloridamente melanciado à espera da degustação dos caroços
Pingados em pernas cruzadas revelando o escondido

O que me faz parar me faz partir
Vejo tanto de ti em mim
Temo a dor, o amar
E assim por que não sei...
Infinitamente desejarei o inédito
O gostoso prazer de imaginar
O ali, aqui, aí...

(Em ordem de confusões) Zelina, Thais, Vinícius, Bibo.

04 dez. 2010.

Fragmento abertura do verão

O verão começou. Não é 2006, mas está tudo lindo e tudo certo como dois mais dois são cinco, e, enquanto isso...

Estamos aqui, tomando uma breja para celebrar a estação do pecado.

Desfrutar das tentações que nossa Bahia maravilhosa tem a nos oferecer, curtindo cada minuto como se fosse o último. E verão rima com Bahia.

Que rima com delícias, feijão da Adelaide na Band, aquele jazz alemão-português, táxis e mais táxis de bares fechados, e mais dia e noite de abertura. Sem fechar.

E é tanto, tanto que nem se pode pensar. É pecado e calor, é agonia e vento nos cabelos, bocas e bocas, e frio, e torpor. É isso, e eu nem quero pensar. Vamos fazer! Vamos estar aqui,

e lá, e acolá numa frêmita extasia de buscar o que um dia foi saudade do que não foi... guardar pés alquebrados, banhados em barras madrigais que te afogam sem mar, ar...

Então, o samba se faz presente, sempre, agora... ele te faz sorrir, esquecer, na verdade aquecer a lembrança do que foi vivido, o degustar do presente e o sabor de provar das entrelinhas da “abertura de um novo verão”.


(Em ordem de confusões) Juninho, Lorena, Suelem, Thais, Zelina, Vinícius, Bibo.


03 dez. 2010.