30 de janeiro de 2013

CONTAS

Um dia eu queria deixar de contar suas placas. Frejat me lembra tanto você... Nao me procure, nao se preocupe. Me ache logo. Não é nada, é só o amor me lembrando mais, todos os dias, da minha louca saudade.

Saudade de que, me perguntam. Ah, de toda emoção, de toda beleza de ter um dia, daqueles sem voz, coçantes, alérgicos e insones, dia morno de rotina, ser salvo por uma menção, um reconhecimento admirável. Passei a ser toda sorrisos! É, eu acho louvável ser lembrada, ser vista em seus olhos.

Foi muito ver emoção em leituras de segredos. Saiba, são todos seus. Pouco seria não rir após ter a certeza de que ainda resido, me escondo, me vou, sou um tantinho em você. Conselhos, projetos, personagens. Quem sabe amanhã?

Amanhã...

E me arrependo, nessas horas, de querer deixar de contar. E haja noves, e haja zeros. Isso não terá, não tem como ir.

Alguém me empresta uma calculadora?

Gilda.

17 de janeiro de 2013

Coisas

Para que não me vejas apenas amarga, sem alma.
Ainda há.


Se houvesse algum espaço nesse vão vazio imenso de nós,
eu te diria dos amores que nunca se foram,
e que voam, dos meus, para ti, só para ti.

Tudo é em uma direção, e é a sua.

Somente para sua sombra que ainda sigo, meu bem.
É muito calor, é tanta saudade, não há como dormir.
Nem os remédios, nem o Sono me deixam.

Por isso, escrevo-te mais uma vez.

Não é nada, é só o meu amor querendo te dizer, baixinho,
uma última vez, uma vez mais: te amo.

Gilda.

15 de janeiro de 2013

Vida e Morte

A gente faz poesia como quem vive
Por vida, pelo belo, pelo amor, pelo sublime.

Tudo, o tempo todo,
a todo o tempo.
Dorme, come, respira, transa,
Briga, bebe
e sonha poesia.

Às vezes, de fato,
de nada se tem vontade.

E só
ela,
nossa,
toda,
bela,

Nos completa, nos invade, nos alimenta.
Com suas metáforas, metonímias,
cataclismas linguísticos.

Vamos nos enchendo
e enchendo a tudo
de poesia...

E, se ímpetos de partida nos acomete,
A gente faz poesia como quem morre.

Negação



 Esses dois últimos anos não existiram.
O Rio foi só meu, as fotos são todas minhas. Do meu luto, da minha saudade, cuido eu.
O penseiro também não se foi, porque ele está muito presente em tudo, e o movimento é sempre constante, continua, muitas vezes, partindo dele. Hoje mesmo, me vi, Zé, pensando, com você, como seria o meu dia sem ele. Muita coisa não teria existido, concebido, se perdido, se achado equivocadamente. Eu estou feia de errares. Mas não estou, porque não existiu, nunca. Estou realmente muito puta de mentiras.
Então, meu caro, isso não existiu, e eu quero minhas cores e minhas dores de antes. Eu não quero aquela despedida com samba, eu nunca ouvi aquela cuíca tão linda, e eu nunca te vi chorar, Dog. Eu também prefiro ver Stella Maris abrindo o verão, com Josi no céu e nós na rede, lavando a alma e os fígados. Meu coração seguindo uma busca, um amor, uma saudade de tanto tempo. Eu vi um reggae dos quatro, não vá ainda antes que eu chegue aos cinco.
Aquela quinta, aquela pré-véspera nunca existiu, e eu não vi os seus, os meus, tantos, tanta gente aos prantos. Nem tive medo de não ver Miguel, não posso dizer isso à minha preta, ela não aguentaria. Nem vi o meu próprio choro, porque eu não tive motivos, só fui sorrir e visões das sacanagens que era a nossa vida juntos. Eu precisaria, hoje, de mais um conselho seu, de mais um verão, de ir pra lavagem do Bonfim, pra arembepe, tomar umas, a qualquer hora. Eu preciso de mais um trieto, de ensaios no andar de cima, que porra é essa?! Isso, sim, existiu. E eu não quero perder nada.
Eu preciso do meu sofá velho, com ventilador de teto pra você ficar mais confortável, mais um cafezinho, precisa sim, brother, eu sempre te tratei bem aqui. Tá com fome? Eu faço um miojo, apenas me diga como vai ser mais um ano de política louca, de antropologia em São Lázaro, de vida acadêmica de merda, de dividir minha rotina contigo.
Eu acordo pra ver a lua de unha, pode me ligar, e eu não tenho mais peão, não importa, esses peões meia-boca, bem se vê que sou muito pra caminhões quebrados, a lua é linda, só pra nós dois. Ah, eu sempre achei muito piegas isso de nossa música, mas tudo bem, a gente sempre foi muito brega. Ou era eu, e só eu não vi?
Isso de conselhos precisa existir, eu preciso ouvir uma vez mais coisas de positividade e de futuros, porque a existência dos todos ruins estão tirando todo o viço, está tudo muito opaco, e eu acho incrivelmente estranho fazer fragmentos nos lugares com essas pessoas que não são a onda. Preciso da sua onda, do nosso Penseiros, das nossas reuniões, das nossas brigas. Existir é tão abstrato, e eu quero que tudo exista, que loucura essa cadeira vazia, bicho! Onde estão as marés?
As vodkas e as originais não são mais as mesmas, nem os balcões, ah, o Sorria... por isso, eu prefiro, sigo negando tudo, está tudo igual, como antes, como todo mundo, como você.
E eu não sei dizer, Zé, porque Zé beatiful é algo tão tosco e tão engraçado, e tão fofo, e tão estúpido de ser, e você nem chora mais, é uma nova Zé, virou Mormon sei-lá-como-se-escreve, virou estudante, virou feliz, e continua linda, apesar das sabotagens. Eu não tenho a sua resposta, você que é de Deus deveria já ter se aprumado, se conjuntado, eu também, que sou essa bosta inconformada e louca.
Hoje foi um dia daqueles, e eu me vejo em você, de choramingos patéticos por aí. Eu sou o que nunca fui, uma errante, uma garotinha, bem burra, está tudo desabitado, e aquela festa de Candeeiro também nunca existiu, eu não quero ver aquelas fotos, nada disso faz sentido algum, meu Deus!
O tapa na cara deveria ser em mim, não há chão, não há estrelas, não há casa. Essa música é vazia, desculpa, é Bethânia, maior, e grande demais pros meus lamentos, mas é ruim. Estou mais pra Nuvem negra, e ninguém vai mais dizer que sempre foi tão sua. Agora é toda minha, Zé, e desse inverno. 
Parece que nem vi o verão chegar. De trancas e revoltas também se vive. Salobrando de vida, vida sem água, viver sem mar. Cadê o sal?

9 de janeiro de 2013

Unlove



Eu nunca quis tão e tanto ficar sozinha como agora, tenho raiva de gente, desaprendi sorrisos. Exausta de ser bem quista, gente boa, bons conselhos. Quero me esconder, muito, quisera houvesse um jeito de ficar invisível, não do tipo amanda, "eu só existo pra te fazer feliz". Não, isso não. Cansei de existir, quero ficar só comigo mesma, estou farta das condolências alheias, mainha, por favor, me deixe! Por isso os óculos escuros me caem, me cairão tão bem.
Tenho que sair, tenho que correr, me escondo, impossível não ser vista. Minhas lágrimas não são sociais, choro, sim, porque acho bonito, acho maravilhoso, não está vendo que estou ótima, bem, claro, quem não está?! Não, não quero barrinha de cereal, quero silêncio, minto, obrigada. Preferia que não me vissem, ninguém gosta de gente triste, parei de compartilhar minhas dores. Não é por isso que eu choro, nem é por você. Ontem, desesperada, perguntei pelo amor. Entrei pela porta, procurando o amor. Tinha saído pela janela.
Ninguém sabe como, ninguém tem respostas-verdade. São só clichês, e, disso, estou farta. E também não quero mais entender porra de nada, caralho nenhum. Das juras, mal ouço. Às vezes, é, sim, melhor ser surda, Josi. Eu sei o que é quase morrer de amor. Sei da ausência insuportável, latente, de não dormir, de não se consumar nada, em lugar algum, em coisa alguma. Jejum de tudo, vários nós, e o corpo já vai indo, porque sempre é preciso ir. Eu sei bem o que é não ter fé, não ter água, coragem, paciência, sono, fome, não-sono. Já vi tapas loucos, gritos, livros no chão, roupas rasgadas, drogas e bocas. Outros mundos, projeções, voos, viagens de sonhos. Vi velórios, como é que Deus é bom desse jeito, vi a raiva e a descrença de dias em vão. Não se morre, eu sei. Amor eu sei o que é, posso até não saber também, mas essa bosta não é amor. É só essa coisa, essa merdinha ridícula e patética que você inventou, ah, isso, o amor não é.
Como pude?! Tenho vergonha, um dia vou me pedir desculpas. Poxa, Gilda, foi mal, nem sabia o que era isso, achei que era bom, deixei você sozinha... sorry.
Os meus hojes não são bons. Ao menos, não são mais seus. Os meus ontens, um dia, foram? Aos hipócritas, desejo o fim. Aos felizes, morte. Pobres, tristes, não sabem ser, apenas são. Que pena.
Minha cama que me cuide, by the way. Whatever.
Até gosto de sol, poesia, músicas e luas. Mas esse analgésico, esse mar estão confundindo tudo.
Nos meus sonhos, vou mandar você se foder.

Rotina



Dormi mal. Acordo com sono ainda, não fiz almoço, não deu tempo, bebe água, Jérssica! Tá melhor? Ai, que frango cheiroso, queria, mas... tenho que correr! E o natal? E o carnaval em Natal? Preciso comprar passagens. Lavo ou não lavo o cabelo? Estou atrasada, sempre atrasada, nenhuma roupa me cabe, essas meias estão sujas, as minhas são mais grossas. Cabelo lavado, vinte minutos, não tenho tudo isso, vixe, acabou o reparador, meu cabelo vai ficar um cu. O bus sai 12h, tenho que correr! Será que Cris vai? Tchau, Jérssica! Corpo todo doído, eu não aguento nem uma caminhada, dez voltas andando, uma meia correndo, e eu, toda entrevada hoje, vai doer pra subir arquitetura, doeu pra descer a Poli. Nossa, que calor, que calor! Dá pra ver uma pontinha do mar, mas o céu está meio embassado, como naqueles dias de Ilha do Governador, tempos atrás, gosto mais quando está bem azul, preciso prender o cabelo, mas esqueci, ou não lembrei, Zelina não me deixa dormir, mil dúvidas de inglês, não sou boa nisso, e daí, se o pai de Norah Jones morreu, gosto dela, “come away with me in the night”, almoço leve, aquoso, que sede, quero água, como é que pode faltar gelo no suco de laranja, sem açúcar, por favor, isso não é justo! O misto seco pediu líquido, tomei um suco de cinquenta centavos, só tapeou, frutas no almoço, água! Quero água! Acabei comendo demais, tomaria até um café, mas tá tão quente, que calor, deve ter gordurinhas, que nada, mais caminhada, preciso queimar essa barriga, natal no carnaval, de praia em praia, camarão, caranguejo, filé de tilápia, lagosta, todo dia, lá eu tomo roska, sou mais de beer, Luis Navarro, cais 43 e saudades de dizer ao penseiro que fui a mais lugares que ele, ultraleve não, aí já é demais, esse ano não vou ver a saída do Ilê, Juli, preciso de um carnaval diferente, voltar preta e magra, dar um tempo, pensar no amor, no não-amor, hoje tem evangelho? Tem, Beto, sete e meia, mas eu não vou, to indo pra aula, ah, a negona vai pra festa? Que bom, sábado tem reunião, não gostei da exclusão elitista de alguns, não sou dessas. Morfologia histórica, semântica morfolexical, e essa professora não me dá a mínima, que pena, achei ela massa, história da língua portuguesa, artigos neutros, palavras sem sexo, sem nexo, herança dos gregos, dos povos árabes, latim que vira português, primeira-segunda-terceira fase, normatização a partir do sec. XVI, muito importante, antropônimos estranhos com A, G, Agildo, Godofredo, Gilda, Geraldo, ei, que loucura! Dia cheio, cheguei em casa, finalmente. Meu Deus, as passagens, será que consigo comprar ainda hoje, quero continuar a caminhar na praça, tô muito gorda, chego tarde, bebe água, Jérssica, loucura, estou exausta.

Ah... mas eu tive um sonho tão bonito com você...

Gilda, 12.12.13

ESPERA



Se um dia você for embora
E, se for, não me avise
Se voltar, faça festa

Não aguento esperar
Preciso de paz
De amor
Pra que fingir?

Ah, amor...

Sejamos um,
sejamos dignos
Façamos algo
E cadê o certo?

Não sei
Ainda busco

Quando aparecer, me avise
Aguento surpresas
Não quero paixões
Não tenho quereres

Me deixe
Mas não se vá

Não me surpreenda
Chega disso
Sejamos
Siga você.

Gilda, 07.01.13