8 de novembro de 2012

TARDE, JÁ É TARDE


Eu queria sentir o eterno
Não abandonar o sentimento
Fazer das escolhas
O não estar

Segundos, mecanismos de defesa
Ativar, para não perecer
Histórias de pessoas diferentes
Como, se é a mesma pessoa?

Uma história contada por quatro
Por muitos
Arranhos
Controvérsias
Contornos de um ser
Que saberia o porquê de um ligar

Um dizer
Um fazer
Não me digas, não me contes
Segredos pra quê?
Verbo imperfeito
Defeitos de um tempo
Futuro do presente
Choro
emocional
Quando perde o Amor, é o quê?
Viúva social
oficial

Eu, mulher feita, caí
Discursos pseudomaduros
Um caucho no chão

Engoli a seco aquele amor
E ouvi aquela confidência
Doeu
Mas, e amiga que sou?
Que eu era?

Então eram dois
Ou mais
O outro é um morto

Juntos, lá em Alcobaça
Vivendo e construindo lares
Praias de amores
Não sei
Caminhos, ruas, escolhas
Embaraçoso
Com ou sem tigresa
Ou mainha, neguinha
É conversa contínua
Coisa de outro tempo
Coisa de outro dia
De antárctica no balcão
Início dos fragmentos
No meio da noite,
No fim do dia.

Gilda Valente, Maria Roussoleen.
08.11.2012