24 de setembro de 2014

O tempo, ou dos dias com ele

Espero, ansiosa, pela hora da cama. O sono quase nunca vem, é verdade, mas agora a minha infinita insônia é de sorrir. É de amor.

Te esperar. Sigo a me ver em perfumes e cores, na cozinha do meu gabinete meia-boca, na nossa futura sala de sofás, dias e risadas. Nas minhas aventuras de pipoca queimada, cerveja no tapete, caco de vidro, violão, fragmento e sono.

Nossa rotina doce e calma é um dia qualquer, e mais um, e eu não sei o que deu em mim, mas não se pode guardar tanta felicidade. Tudo transborda nessa caixa de fósforos.
E na minha vontade.

A minha cama, que é toda sua em pernas, coxas, línguas, bocas e cuidados, esconde o escancaro dos nossos segredos e desejos de sempre. Nela, está todo o nosso ir e vir, nossos maiores planos, todos os meus anseios, nossas piores brigas. E, é claro, as nossas melhores pazes.

Tudo porque eu já não sei mais como se contam os tempos, as coisas e as horas, sem juntar os meus nos seus passos. As mãos e mistura de olhares. O reclamar da pia molhada, das roupas espalhadas, da areia de bagunça que você teima em deixar, e eu, em brigar, pra depois, te beijar e rir.

Do sussurrar da sua respiração, do roçar do seu abraço, posso ver o dormir e o sonhar a dois.

Todos os ventos, pensamentos, cuidados, música, poema e cansaço.

Mas é tudo um.
Inclusive, não há tempo.
Só dia um, todo dia.

Gilda.