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Mostrando postagens de 2017

Acontece

Ah, o amor tem dessas coisas.
Não é sobre ver corujas em todos os lugares. Nem é sobre não conseguir mais passar por nossas moradas sem lembrar de ti. É sobre não ser mais a mesma, e, ainda assim, ser linda. E tua. É se aperceber em um novo universo, cantando outras cores, desenhando uma outra música, dedilhando poesias. É sobre tudo o que cabe nos nós.
Quem disse que eu caibo em mim?
Ah, esse amor, que me visita há tanto tempo, aos montes e aos tantos... me acorda e me tira dos sonhos, me leva o sono, me arranca o ar. Me faz cativa da mais perfeita saudade, que, de tanto machucar, me alivia toda e inteira no pedacinho doce do teu sorriso.
Me traz desejos e vontades, vem mudando o rumo dos caminhos, pois que, vindos de ti, e, de tão bons, fazem do desconhecido um porto seguro. E a vontade dos passos serem juntos dos teus.
O amor está até nas suas ausências, porque nelas tenho a certeza do seu chegar, e o alívio pros meus infinitos esperares. 
Ah, o querer bem...
Esse bem-me-quer, que s…

Lista-presente

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Tenho alguns segredos para te contar.
De tudo que gosto em você, escolho aqui o que mais gosto.
N’algumas coisas, escolho as que ficam mais, porque quase tudo fica.
E fica muito.
Ficam as nossas sextas, cheias de horas extras, com cara e jeito de tempos sem fim, dentro do tempo de 30 minutos, uma hora e mais um pouco, e mais um infinito inteiro, como naquele resto de tarde entre o meu desastroso boliche e todas as confissões que couberam no nosso açaí. Porque tudo conta.
E conta muito.
E nesse tempo, quando é nosso, quero sempre mais um pedaço, sempre peço mais uma morada. No teu cheiro, no nosso abraço, no nosso sexo sem cinto de segurança. No seu sorriso de olhos apertados.
E fica um tanto naquele beijo, porque não há beijo de um. Tampouco encontro sem dois.
– Eu dirijo agora, escolhe você o lugar, desse jeito fica difícil dirigir, na volta eu levo. Pra onde você quer ir? Decida.
Na nossa estrada, valem menos as escolhas, vale menos a chegada. Tudo o que temos é o caminho. 
Nele, dividimos …

Sobre paz, sorrisos e borboletas

Eu preciso te falar das minhas borboletas.
Dessas, que moram no meu estômago, e ficam saltitantes só de lembrar de um sorriso seu. 
Aquele, de canto de olho, entre uma aventura e outra, ou daquele, durante os nossos encontros e desencontros das mãos.
Elas realmente ficam muito felizes quando te veem.
Acho que gostam de ti.
E creia, não é culpa minha. Elas vivem em mim, e brincam de crescer e se alimentar das suas cheganças.
E elas adoram as suas surpresas. E todas as coisas encantadoras e inusitadas que fazemos juntos.
Mas se você não vem, ah, elas se esvaem. E ficam murchas, e tristes, e bem quietas, como quem morre de fome. E elas quase morrem mesmo. De amor, de sonho, de desejo e de saudade.
Por que não dizer?
E quando é tarde, mas não nunca, e você vem, elas renascem! E pulam e dançam, seguindo o som de todas as músicas e todas as cores e todos os sinos.
É engraçado... Elas me fazem cócegas, e me fazem rir. Me deixam assim, com esse sorriso doido, sorriso de quem conjuga os v…

Só por hoje

Por mais tâmaras e afetos.
Por mais sextas de jazz, fotos e sorrisos à noite, ali, na ponta do mar.
Por mais mãos dadas sem se dar conta.
Mais fotos escondidas nos meus cabelos.  Será que dá pra te guardar aqui?
Por mais troca de pijamas, bermudas e cuecas. Deixa, eu escolho.
Por mais lugares de comer sem roupa.
Mais, muito mais lasanha de frango, danças, e, da próxima vez, com uma rádio que ajude. Sem interrupções.
Por mais gargalhadas, presentes, lágrimas e surpresas durante o chá, pão de queijo, capuccino.
Por mais pedidos e suspiros deliciosos ao pé do ouvido.
Mais do nosso inglês gaguejante no corredor. Mais visitas ao 118. De parede lilás e poucos espelhos.
E nunca é demais para os nossos vídeos e músicas de meditação. E projetos de uma semana.
por mais das nossas conversas, confidências e desabafos intermináveis, do chocolate bom, do ruim e do café na saída.
Por mais planos de viagens, Aracaju, Itacaré, chapada, carnavais, congressos, concursos, teses, biografias, seu quart…

Filme-sonho

Era um dia de trabalho, e estava tudo diferente. Era escuro e cinza, mas não tinha chuva. Era quase noite, ou talvez quase manhã. Era preciso partir, viajar, então, coloquei o básico na mochila e saí. Bem se via um viço e uma juventude de outro tempo, mas com cara da mesma pessoa: eu. Sozinha, com medo, ansiedade e cheia de sonhos e esperanças. Quando penso nisso, me dou conta do quanto é bom, de como é gostoso viver de aventuras de quando em vez. Coisa de outras vidas.
Pois bem. Tudo começa com os preparativos pra essa viagem, que no começo, era o Rio, e depois, já era um enorme navio transatlântico, cheio de perigos e medos. Mas, pra onde? Pura loucura... É tarde. Preciso correr. Essa mochila não ajuda muito, e não se pode confiar em ninguém, ou quase. Nela, tenho tudo: o mínimo de roupas, biquínis, óculos escuros, água, mel, chocolate e a pasta com os documentos. Eu acho que esse currículo não ficou tão bom, mais pra frente vou ver o que posso fazer com isso. Vou pra um lugar inédit…

Saudade?! Não, obrigada.

Não. Eu não sinto falta do barrigão. Eu adorei estar grávida, eu nunca me senti tão linda e tão plena, eu nunca pensei que aquela doce espera fosse a espera que iria me mudar e mudar pra sempre a minha vida. Por que ninguém me avisou, Jesus?! 
A minha barriga foi a mais linda de todos os tempos, só eu sei, e só eu me senti e me vi assim, com pintagens e nariz de Peppa Pig e tudo. Eu sei disso, e eu me lembro. Eu vivia exibindo minha barriga em saias longas e cropets, e eu nunca me senti tão linda e exuberante. Mas eu não sinto falta e nem saudade. Porque, apesar de ter mergulhado no planeta gravidez, parto humanizado e maternidade com afinco, afora ter vivido, passo a passo, o mês a mês de te esperar, Marina, eu não fui feliz, não fui só feliz com isso. Eu trabalhei que nem uma louca, e eu esperei o super-marido-papai-amante-homem surgir, e... nada. Tive que viver sozinha as agruras e felicidades de cada ultrassom, daquele sangramento, daquela reunião no grupo de gestantes. Vivi tudo à…